Ana Hatherly. Obra Visual, 1960 – 1990

Exposição retrospetiva da obra visual da artista portuguesa Ana Hatherly (1929-2015), comissariada por Jorge Molder e Manuel Castro Caldas, com a colaboração da artista. Esta mostra percorria um arco temporal de trinta anos, revelando o caráter íntimo, meditativo e reflexivo do trabalho da artista portuguesa num conjunto de trabalhos sobre papel.
Retrospective exhibition of the visual art of Portuguese artist Ana Hatherly (1929-2015) curated by Jorge Molder and Manuel Castro Caldas in collaboration with the artist. The show covered a time period of thirty years, revealing the intimate, meditative and reflexive character of the artist's work through a selection of works on paper.

Exposição retrospetiva da obra visual sobre papel da poeta e artista portuguesa Ana Hatherly (1929-2015), comissariada por Jorge Molder e Manuel Castro Caldas, com a colaboração da artista. Em termos programáticos, esta mostra surgia no âmbito de uma série de exposições que o Centro de Arte Moderna então apresentava, centradas em obras sobre papel.

Ao longo da Galeria do piso 01 do Centro de Arte Moderna, foi disposto um conjunto significativo de trabalhos que abrangiam um arco temporal de trinta anos, de 1960 a 1990, refletindo a lógica muito própria da obra visual de Hatherly, o seu caráter íntimo, meditativo e reflexivo.

A mostra iniciava-se com alguns desenhos anteriores à adesão de Ana Hatherly ao Movimento da Poesia Experimental Portuguesa, em 1965, seguindo-se uma enorme variedade de «desenhos-escritos», que preenchia de forma linear as paredes da galeria. Alguns pendiam mais para signos ainda reconhecíveis, onde a presença da palavra era dominante, outros para a sua destruição progressiva até ao caos (escrita ilegível, gestos livres, borrões de tinta, manchas, tramas, estruturas alveolares). A contrastar com estes trabalhos de pequenas dimensões, que levavam o espectador a aproximar-se do desenho com a ilusão de aí encontrar uma mensagem, de conseguir desvendar o enigma, encontrava-se um trabalho de grandes dimensões: um «desenho-escrito» executado num rolo de papel de cenário montado como uma Torá. A forte presença desta peça no espaço, o facto de o rolo não estar totalmente desenrolado, e, portanto, não desvendado na totalidade, remetia para outras intervenções instalativas e performativas da artista, como Poema d'entro (1977), Rotura (1977) ou Desenho no Espaço (1979).

Numa vitrina ao lado desta grande instalação, foi apresentada a obra Torah (1973), que transmitia a relação da artista com a longa tradição dos calígrafos orientais e os ensinamentos que retirara da repetição contínua de tais símbolos, até a sua mão se tornar «inteligente», como a própria afirma. Apesar da predominância do preto-e-branco e da tinta-da-china sobre papel, o recurso à cor, mais ou menos contido, não deixa de marcar presença, com trabalhos como os da série A Guerra (1972) e Ruas de Lisboa (1977).

A acompanhar esta mostra foi produzido um catálogo com textos de Hellmut Wohl, José-Augusto França, Jorge Molder, E. M. de Melo e Castro e Manuel Castro Caldas, sobre a sua obra visual e poética.

Mariana Roquette Teixeira, 2018

Retrospective exhibition of the visual work on paper by Portuguese poet and artist Ana Hatherly (Porto, Portugal 1929 Lisbon, Portugal 2015), curated by Jorge Molder and Manuel Castro Caldas with cooperation from the artist. The exhibition took place within a series of exhibitions focusing on works on paper that the Modern Art Centre (CAM) was organising at the time.
Throughout the Ground Floor of the CAM, a considerable set of works were arranged, stretching over a 30-year period, from 1960 to 1990, reflecting a rationale typical of Hatherly's visual work, its intimate, meditational and reflective character.
The exhibition began with some drawings pre-dating Ana Hatherly's joining the Portuguese Experimental Poetry Movement in 1965, followed by a huge variety of written-drawings that were arranged in a line along the walls of the gallery. Some tended towards signs, although these were still recognisable, where the presence of words dominated; others tended towards their gradual destruction into chaos (illegible writing, free movements, ink blots, stains, grids, honeycomb structures). Contrasting with these small pieces, which drew viewers in to bring them closer to the drawings with the delusion of discovering a message therein and unveiling the enigma, there was one large piece: a written-drawing on a roll of paper installed to look like a Torah. The weighty presence of this piece in the space, the fact that the roll was not fully unwound and, therefore, not fully revealed, referred to other installations by the artist, such as Poema d'entro, 1977; Rotura, 1977; Desenho no Espaço, 1979.
A display case next to this large installation showed her work Thora (1973), which transmitted the artist's relationship with a long tradition of oriental calligraphers and the lessons that she had taken from the continuous repetition of such symbols until her hand became intelligent, as the artist herself says. Despite the predominance of black and white and Indian ink on paper, the use of colour with different degrees of restraint was also present in pieces such as the A Guerra series (1972) and Ruas de Lisboa (1977).
The exhibition was accompanied by a catalogue containing texts by Hellmut Wohl, José-Augusto França, Jorge Molder, E.M. de Melo e Castro and Manuel Castro Caldas on her visual art and poetry work.

Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

"da desigualdade constante dos dias de Leonor"

Ana Hatherly (1929-2015)

"da desigualdade constante dos dias de Leonor", Setembro de 1972 / Inv. 04DP2004

sem título

Ana Hatherly (1929-2015)

sem título, 1987 / Inv. DP253

Torah

Ana Hatherly (1929-2015)

Torah, (1973) / Inv. DP1669


Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Multimédia


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00445

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém material para o catálogo, correspondência, pedidos de empréstimo, convite. 1991 – 1997

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/044-D02953

Coleção fotográfica: inauguração (FCG, Lisboa) 1992

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM-S005/01/01-P0001-D00095

Coleção fotográfica: aspetos (FCG, Lisboa) 1992


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