Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)
La bibliothèque en feu, Inv. 79PE96
A exposição inaugurou a 13 de junho de 1988, na Galeria de Exposições Temporárias (piso 0) da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), assinalando o 80.º aniversário de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), numa homenagem da Fundação à pintora portuguesa. Neste mesmo dia, Vieira da Silva foi condecorada pelo presidente da República, Mário Soares, com a Ordem da Liberdade.
Organizada conjuntamente pelo Centro de Arte Moderna da FCG e pelo Centre des Arts Plastiques do Ministério da Cultura e Comunicação de França, a exposição reuniu 95 trabalhos, datados de 1931 a 1988, provenientes de diversas coleções públicas e privadas da Europa e dos Estados Unidos da América. Quer no espaço museográfico, quer no catálogo, os trabalhos foram organizados de acordo com os quatro grandes temas da obra de Vieira da Silva, que nesta exposição se intitularam: «cenografia»; «memória dos azulejos ou a visão prismática do mundo»; «as formas e as cores como partitura musical»; «a densidade e a transparência das cores».
Complementarmente à exposição, foi exibido o filme Ma Femme Chamada Bicho, de José Álvaro Morais (1943-2004), em sessões duplas, diárias. Realizado em 1978, trata-se de um documentário biográfico sobre o casal Vieira da Silva e Arpad Szenes.
Além da homenagem à pintora, e segundo o artigo publicado no jornal O Dia, a exposição visou «incitar à descoberta da obra multifacetada de Maria Helena Vieira da Silva e à complexidade que envolve a elaboração das suas obras» («Exposição da pintora Maria Helena Vieira da Silva», O Dia, 10 jun. 1988).
A exposição foi largamente assinalada na imprensa nacional, com artigos, reportagens e entrevistas à pintora. José Luís Porfírio, no jornal Expresso, faz uma leitura do espaço museográfico e das quatro abordagens da obra de Vieira da Silva patentes na exposição, não deixando de apontar que «o efeito da acumulação de uma grande densidade de obras ajuda a que nenhuma delas tenha o seu próprio espaço e que não viva aqui plenamente uma relação sensível com o espectador, já que é imediatamente incomodada pela obra do lado, independentemente da sua qualidade» (Porfírio, Expresso, 25 jun. 1988).
A crítica foi partilhada por João Pinharanda, no Jornal de Letras: «Orientada por técnicos do Grand Palais, a montagem revela-se demasiado pesada para a possibilidade de eleger percursos no interior da exposição, dificultando circuitos e relações privilegiadas e acentuando fundamentalmente aquele pendor que percorre toda a obra da artista: o da retoma sucessiva das suas questões plásticas, o da reprodução, de tela para tela, de série para série, das linhas recorrentes do seu universo visual.» (Pinharanda, JL. Jornal de Letras, Artes e Ideias, 21 jun. 1988)
A exposição teve uma grande afluência, somando cerca de 60 mil visitas até ao dia 9 de agosto de 1988, o que justificaria que, ao invés de encerrar a 21 de agosto conforme previsto (data em que totalizou 72 200 visitas), se prolongasse por mais sete dias, até 28 daquele mês.
Entre 22 de setembro e 21 de novembro do mesmo ano, a exposição esteve patente no Grand Palais, em Paris. Até esta data, apenas três pintores se podiam orgulhar de ter exposto individualmente naquele espaço: Maurice Estève, Édouard Pignon e Pablo Picasso.
Carolina Matias, 2018
La bibliothèque en feu, Inv. 79PE96
La Rue, Le Soir, Inv. 78PE105
Landgrave, Inv. PE103
Les Degrés, Inv. PE98
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