Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)
Atlantide, Inv. GE383
Exposição de gravuras de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), apresentada no Pavilhão do Lou Lim Ioc, em Macau, organizada pelo Instituto Cultural de Macau (ICM).
Esta exposição nasceu de uma grande vontade do ICM de expor a obra de Vieira da Silva durante as comemorações do 10 de Junho em Macau. Em resposta ao pedido de colaboração dirigido por Carlos Marreiros, diretor da referida instituição, a José Sommer Ribeiro, este último propõe como «hipótese viável […] que colocaria menos problemas» a mostra «Algumas obras de Vieira da Silva nas colecções portuguesas» (Carta de José Sommer Ribeiro para Carlos Marreiros, 1990, Arquivos Gulbenkian, CAM 00186).
Tal como o título sugere, esta incluiria muito possivelmente algumas das obras que haviam integrado a exposição «Vieira da Silva nas Colecções Portuguesas», comissariada por Sommer Ribeiro, com o apoio de Manuel de Brito, e apresentada, em 1987, no Museu de Arte de São Paulo – Assis Chateaubriand.
Muito provavelmente, outro aspeto facilitador era o facto de, nesse mesmo ano, se encontrarem em curso os preparativos para a exposição «Vieira da Silva dans les Collections Portugaises», organizada pelo CAM e integrada na Europália Portugal, que veio a ter lugar no Musée d'Art Moderne dos Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, de 27 de setembro a 8 de dezembro de 1991.
No entanto, já em fase avançada do projeto, a exposição de pintura a ser apresentada em Macau foi cancelada por decisão da artista, justificada pela crise internacional. Como alternativa, Sommer Ribeiro, com o apoio de Guy Weelen, propõe uma mostra da obra gravada de Vieira da Silva que havia sido apresentada um ano antes na Galerie Georges Pompidou, em Anglet, sob o título «Vieira da Silva: Estampes 1948-1989».
Guy Weelen procede a ligeiras alterações nas obras selecionadas, propondo uma exposição representativa da obra gravada de Vieira da Silva, quer em termos das técnicas exploradas, quer das temáticas desenvolvidas. Iniciada com a primeira litografia da artista, Toile de l'Araignée (1948), esta mostra percorria quatro décadas de trabalho, em que Vieira da Silva conciliara a prática da pintura com alguma produção de gravura. Torna-se evidente que as temáticas de eleição da artista – as bibliotecas, os labirintos, as cidades, os jardins e os azulejos – são transportadas para este medium. A escala, como seria inevitável, é outra. As composições sinuosas que marcam a sua pintura, onde forma e fundo muitas vezes se fundem, assistindo-se à geometrização de elementos figurativos, voltam a surgir em pequena e média escala. A avaliar pelas obras apresentadas, Vieira da Silva revela uma clara preferência pela litografia e pela serigrafia, ambas técnicas de gravura planográfica, ou seja, não resultantes de processos de gravação na matriz.
O primeiro contacto de Vieira da Silva com a gravura ocorre em 1929, enquanto estudante no Atelier 17, dirigido por Stanley William Hayter. Aí experimenta as técnicas de água-forte, ponta-seca e a gravura a buril, à qual retorna em 1959, para a série L'Inclémence Lointaine, destinada ao livro de poemas de René Char. No lugar da série, foi incluído nesta mostra um exemplar do livro de Char, ao qual se juntaram outros do mesmo autor, bem como de Cecília Meireles, André Malraux, José Bergamin, Guy Suarès e de Philippe-Maguilen Senghor, nos quais Vieira da Silva participara com gravuras.
A representar o uso da gravura noutros projetos encontravam-se a litografia UNESCO – La Paix (1986) e a serigrafia Projet Tapisserie Université Bâle (1983), correspondentes ao cartaz encomendado pela UNESCO por ocasião do Ano da Paz e ao projeto para a tapeçaria que lhe valeu, em 1954, o primeiro prémio do concurso lançado pela Universidade da Basileia.
Para acompanhar a exposição, o Instituto Cultural de Macau produziu, com o apoio dos comissários, um catálogo, no qual estão reproduzidas algumas das gravuras expostas, muitas das quais representadas na coleção do Centro de Arte Moderna.
Mariana Roquette Teixeira, 2018
Atlantide, Inv. GE383
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Grottes, Inv. GE366
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La Foule, Inv. GE342
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Le Village Bleu, Inv. GE404
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