Plano Geral proposto pela equipa A

Tanto as peças desenhadas como as peças escritas e a maqueta, que integram o processo entregue pelos arquitetos Ruy Athouguia, Pedro Cid, Alberto Pessoa (equipa vencedora do concurso) e que contaram com a colaboração do Arquiteto Paisagista  António Facco Viana Barreto, são escassos em informação no que se refere à definição de uma ideia para o Parque da Palhavã . Revelam sobretudo um conjunto de intenções e não tanto uma imagem pretendida. No que se refere ao desenho do parque, na Memória Descritiva, destaca-se:

– A decisão da recuperação e reforço do maciço arbóreo existente, a preservação do conjunto dos eucaliptos. Os únicos representados na maqueta e que o Arquiteto Paisagista Azevedo Coutinho, em 1958, havia considerado passíveis de classificação;

– O uso de grandes extensões de relvado, a presença de um plano de água de geometria orgânica, a definição das orlas que delimitam o espaço;

– Um sistema de percursos, bastante reduzido, e a anulação de barreiras físicas entre o parque e os arruamentos que circundavam a propriedade.

A simplicidade da composição proposta, a norte do edifício, denuncia o caráter de enquadramento que foi definido para esta parcela assim como revela a necessidade da elaboração de um estudo mais aprofundado. Uma vez que parte desta área seria a cobertura do parque de estacionamento subterrâneo.

A sul do edifício o desenho proposto é determinado:

– Pela presença de maciços arbóreos dispersos, pelo o volume do auditório, que avança como um promontório sobre espaço salvaguardando ,desta forma, um grupo de três eucaliptos;

– Pelo desenho do anfiteatro ao ar livre e pela a superfície de água que polariza toda a composição.

O percurso proposto define uma interioridade, talvez até uma concavidade (a ausência da expressão das linhas do relevo impossibilita a certeza desta afirmação) que contem os elementos, anteriormente referenciados. É simplesmente um percurso de ligação entre o edifício e as ruas que delimitam a Fundação. É um percurso que atravessa o jardim mas ainda não é um percurso de jardim.

De todas as intenções esboçadas na proposta há uma que reclama especial atenção: a definição do limite da propriedade. Os arquitetos propõem que o parque invada os passeios limítrofes, se estenda até à via. Esta proposta pode encontrar justificação:

– No contexto ideológico em que os projetistas se enquadravam. A ideia de espaço verde contínuo, uno, e a diluição da definição tradicional de rua, que o urbanismo do Movimento Moderno propunha, surgiam no Parque da Fundação Calouste Gulbenkian tanto ao nível  da relação que o edifício estabelecia com o parque como na relação que este conjunto estabelecia com a cidade, com a rua.A continuidade conseguida entre interior/exterior, edifício/jardim, transpunha-se, agora, para a ausência do limite da propriedade e para a incorporação da rua no seu interior.

– No caráter público do parque que a escritura de 1917 fixara, e no contrato de compra assinado pela Fundação Calouste de Gulbenkian, em 1957.

Todos os dados programáticos, relacionados com o parque (interioridade, concentração dos edifícios, preservação do maciço arbóreo e de exemplares singulares) como os acessos de serviço a poente, pela Av. Marquês Sá da Bandeira e estacionamento foram respeitados.

O parque foi entendido:

– Como continuidade formal, funcional e estética do espaço interior;

– Como uma construção conjunta una com o espaço edificado. O resultado foi um espaço sem fraturas, fluente e coerente.

  • Data de produção: 1960
  • Projetistas (autores principais): ATHOUGUIA, Ruy, PESSOA, Alberto, CID, Pedro
  • Fase do projeto: Do concurso ao anteprojeto
  • Identificador: Arquivos da Fundação Calouste Gulbenkian

Para consultar a versão original deste documento deverá contactar os Arquivos Gulbenkian através do endereço eletrónico [email protected] e referenciar o identificador