Do concurso ao anteprojeto (1959-1962)

“O Programa das Instalações da Sede e Museu: considera que O Parque de Santa Gertrudes, devidamente restaurado na pujança da sua vegetação, constituirá um dos espaços livres públicos de maior interesse de Lisboa; local privilegiado que certamente atrairá a população e proporcionará à Fundação possibilidades de maior divulgação das suas actividades culturais. E, assim sendo, (…) Também se tiveram em conta as limitações da área do parque em relação às suas funções relevantes de espaço verde urbano, aproveitadas para a valorização e o enquadramento do conjunto das edificações a construir.”

O Parque de Santa Gertrudes surge como uma determinante ao desenvolvimento do projeto, e por isso no Programa do Concurso para o Edifício da Sede e Museu “a dimensão do Parque, assim como a necessidade imperiosa de prever a continuidade da função urbanística que agora tem desempenhado, visto tratar-se dum dos pulmões da cidade de Lisboa, torna o aproveitamento do terreno condicionado, no sentido de prever a máxima libertação possível”.

 

O Concurso – as três propostas

Em Fevereiro de 1960 os três equipas de arquitetos convidadas, assessoradas por Leslie Martin e Franco Albini, entregam as propostas para as Instalações da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian.

As equipas são constituídas pelos seguintes arquitetos:

– Ruy Athougia, Alberto Pessoa e Pedro Cid – Grupo A;

– Arménio Losa, Luís Pádua Ramos e Formosinho Sanchez – Grupo B;

– Arnaldo Araújo, Frederico Jorge e Manuel Laginha – Grupo C.

A 4 de Abril de 1960 a Azeredo Perdigão informa os arquitetos Ruy Athougia, Alberto Pessoa e Pedro Cid – Grupo A, que a sua proposta é a proposta vencedora.

 

A contratação dos arquitetos paisagistas

A 5 de Abril de 1961, um ano depois da escolha da equipa de arquitetos, o Eng. Guimarães Lobato propõe a Azeredo Perdigão a contratação de dois técnicos para a realização de estudos e projetos ligados ao arranjo do Parque de Santa Gertrudes, de entre os seguintes nomes: Gonçalo Ribeiro Telles; António Facco Viana Barreto; Manuel de Azevedo Coutinho; Edgar Ferreira Fontes e Álvaro Ponce Dentinho.

Na sua proposta dá ênfase ao papel que estes técnicos viriam a ter sobretudo no que se referia à integração do conjunto edificado no parque e na preservação dos exemplares arbóreos. Azeredo Perdigão remete a decisão para a Comissão Delegada que logo a 12 de Abril decide (…)confiar esse trabalho aos Engenheiros-Agrónomos e Arquitectos Paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Facco Viana Barreto. Esta escolha foi determinada pelo facto de o Eng. Guimarães Lobato ter dado a informação de que, além de se tratar de técnicos muito competentes, eles foram aqueles que os arquitetos autores dos projetos da Sede e Museu mais recomendavam [i].

Em carta, datada de 16 de Maio de 1961, aqueles técnicos agradecem a Azeredo Perdigão o convite que lhes foi dirigido e apresentam os princípios orientadores da sua intervenção e o tipo de contribuição que podiam dar nos restantes estudos a desenvolver. Consideravam que era da maior importância para um bom resultado final, pela complexidade e natureza da obra, uma íntima e ativa colaboração de ordem técnica e estética tanto com os arquitetos, autores do projeto, como com os engenheiros encarregados das estruturas e infra-estruturas relacionadas com o parque.

 

[i]
Arquivo Morto do Serviço de Projetos e Obras da Fundação Calouste Gulbenkian – Pasta 137 Processo 95, vol. 22 A1, pasta 517, processo nº137, volume 2A.

 

Documentos desta fase