A preparação do parque e as instalações provisórias (1957-1963)

Aquisição

A 30 de Abril de 1957, Vasco Vill’Alva vende 69 283 m2 do Parque de Santa Gertrudes à Fundação Calouste Gulbenkian que havia sido instituída pelo Decreto-Lei nº4690, de 18 de julho de 1956.

A escritura assinada entre Vasco Maria Eugénio da Almeida e os representantes da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1957, refere a venda de seis sétimas partes da área total do Parque de Santa Gertrudes.

O que permanecia no domínio da família Eugénio de Almeida continuaria a chamar-se Parque de Santa Gertrudes ou Casa de Santa Gertrudes. A parcela destacada, a partir daquela escritura de propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian, ficaria a chamar-se Parque de Palhavã, até 1965. Este é delimitado, a norte, pela avenida de Berna e a sul pelo muro que o separa do prédio de que foi destacado, construído no alinhamento da Avenida Miguel Bombarda. A nascente e a poente confronta, respetivamente, com a Avenida Marquês Sá da Bandeira e a antiga Estrada de Benfica.

 

O terreno adquirido pela Fundação Calouste Gulbenkian

terreno adquirido pela Fundação Calouste Gulbenkian, como refere a escritura, destina-se: b) “à construção dos edifícios necessários, agora e no futuro, quer à instalação dos serviços da dita Fundação, quer à realização dos seus fins estatutários, e a parte sobrante a parque (…) c) (…) não só para seu uso próprio, mas também para uso público, nas condições, quanto a este, que vierem a ser estabelecidas pela Câmara Municipal de Lisboa, segundo os regulamentos gerais do parques e jardins municipais vedados d) Que, para o efeito do disposto nas alíneas anteriores, e sem prejuízo do que nelas estipula, logo após a construção do palácio, museu e biblioteca que, em primeiro lugar, a “Fundação” se propõe construir no local, a “Fundação” construirá, na parte sobrante, de sua conta, o mencionado parque e) que a conservação do parque e a sua polícia, depois de o mesmo ser aberto ao uso público, caberão à Câmara Municipal de Lisboa. (…)”.

Estavam  lançadas as diretrizes para a parcela adquirida; uma parte seria ocupada com a construção do edifício Sede e Museu da Fundação e a restante área seria um parque que, embora sendo do domínio privado, se franqueava ao público.

 

Início do processo

A 15 de junho foi apresentado o primeiro Relatório Geotécnico sobre as caraterísticas dos terrenos do Parque [i]. Onde se avaliam preliminarmente as condições biofísicas do Parque de Palhavã, após a sua seleção entre várias opções.

Em junho de 1957 foi apresentado, pelo Serviço de Belas Artes e Museu e pelo Serviço de Projetos e Obras, um primeiro programa das instalações da Sede e do Museu que depois de avaliado e discutido foi aceite em Setembro.

 

As instalações provisórias

A 19 de janeiro de 1958 a Fundação anunciava que funcionavam no Parque de Santa Gertrudes, com entrada pela Avenida de Berna, os Serviços de Bolsas de Estudo, de Beneficência, de Belas Artes, de Projetos e Obras, das Bibliotecas Itinerantes e de Contabilidade. A Administração Central e os demais serviços da Instituição continuariam a funcionar na Rua de S. Nicolau [ii], mas por pouco tempo porque um mês depois, Azeredo Perdigão em carta dirigida a Pedro Teotónio Pereira, levantava a hipótese da sua transferência para Palhavã [iii].

Estas instalações provisórias dos serviços da Fundação, com uma área coberta de 3354 m2 [iv], ocupavam uma faixa de terreno junto à Avenida de Berna.

A proximidade com a Avenida de Berna resulta do entendimento de que esta via viria a ser um eixo estruturante de Lisboa, estabelecendo a ligação entre as zonas oriental e ocidental da cidade.

A localização destas instalações provisórias (só serão demolidas a 26 de julho de 1969) indicia que nunca se encarou a possibilidade de os edifícios definitivos da Sede e Museu se situarem neste limite do terreno.

Para estas instalações provisórias foi também elaborado um projeto de jardim – Jardim das Instalações Provisórias.

 

[i] Propondo que fossem executadas sondagens geológicas, indispensáveis para o estudo das fundações dos novos edifícios, e definindo as condições em que aquelas se deveriam realizar F.C.G Arquivo Morto SPO Pasta 103, processo 55, vol.1

[ii] F.C.G  (Arq. Pres. P1983 616).

[iii] 17 de fevereiro de 1958 – Carta de Azeredo Perdigão a Theotónio Pereira:
“Instalações no Parque de Palhavã -> Todos os nossos serviços, com exceção da Administração, secretaria Central e serviços do Médio Oriente e Comunidades Arménias, lá estão instalados nos pavilhões para esse efeito construídos em Palhavã.
Tudo corre bem, mas o facto de eu ter de me deslocar todos os dias a Palhavã constitui um excesso de trabalho que se está a tornar incomportável.
Por outro lado, a circunstância de haver serviços instalados em Palhavã prejudica a sua coordenação. O arrendamento da Rua de S. Nicolau termina em 31 de Dezembro deste ano. A renda é de Esc. 9 000$00 (nove mil escudos) por mês. Afigura-se-me, pois, de grande vantagem construir, em Palhavã, novo corpo de edifício, anexo aos já existentes, para onde se transfiram os serviços que, actualmente, se conservam na Rua e S. Nicolau. E, dessa maneira, eu e o Senhor Essayan poderemos estar quase todo o dia em contacto com todos os serviços.
Embora se trate de pavilhões provisórios e a sua construção possa custar alguns centos de contos, a despesa é largamente compensada, não só pela maior eficiência dos serviços mas, também, pela economia na renda da casa da Rua de S. Nicolau, que, presentemente, é de Esc. 108 000$0 (cento e oito mil escudos) por ano.
Gostaria de conhecer a sua opinião a este respeito.” (Assinado Azeredo Perdigão.) Arq. Pres. Pasta 108-27.

[iv] In AZEREDO PERDIGÃO, José de, Relatório do Presidente, 1961, pp.197-198

 

Documentos desta fase