Jardim do Pavilhão Provisório – Plano Geral

À seleção do Parque de Santa Gertrudes para Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian presidiu também o conhecimento que Azeredo Perdigão tinha da paixão de Sarkis Calouste Gulbenkian por jardins e pela natureza. Esta fato determinou que a presença de um jardim fosse um dado a ser considerado, assim foram implementadas um conjunto de ações de conservação e manutenção do parque.

Esta vontade da presença de um jardim, de um   contacto constante com a natureza, levaram a que muito cedo neste processo se encarasse a necessidade de se desenvolverem ações de construção, de limpeza e de conservação do parque efetuando-se “um arranjo condigno com a presença das instalações administrativas da Fundação.” 

Em fevereiro de 1958 Gonçalo Ribeiro Telles apresenta o Projeto do Jardim das Instalações Provisórias [i]O Jardim das Instalações Provisórias desenvolvia-se, numa primeira fase, a sul do edifício para a área entre o portão que se abria para a Av. de. Berna e o limite poente daquelas instalações.

Mais tarde, a 10 de março, o arquiteto paisagista Azevedo Coutinho, junta-se a Ribeiro Telles  para elaborarem em conjunto um estudo de manutenção e conservação do Parque de Palhavã que serviria, posteriormente, para um ‘plano de medidas cautelares‘. Alguns destes parâmetros faziam parte de um conjunto de princípios que os arquitetos paisagistas que integravam, desde 1952, o quadro técnico da Câmara Municipal de Lisboa, vinham ensaiando e, com isto revolucionando o desenho do espaço público. Ribeiros Telles e Azevedo Coutinho faziam parte desse grupo. O primeiro integrava o Serviço de Parques e Jardins e o segundo chefiava esse departamento. Guimarães Lobato conhecia o trabalho de ambos. Já havia até colaborado com eles em vários estudos de urbanização como o Plano de Urbanização de Palhavã.

[i]  (…) “Com este projeto pretende-se implantar um jardim …que tenha por fim o enquadramento dessas instalações e a creação dum ambiente agradável. O projeto que se apresenta também abrange o recinto de entrada.

O jardim será fundamentalmente constituído por um amplo relvado de escalracho limitado a sul por um “mixed-border” de arbustos e plantas herbáceas vivazes e uma cortina de arvoredo caducifólio. O relvado desenvolve-se num suave rampeado que valoriza todo o conjunto para quem o observar das salas do edifício ou do seu topo poente. As espécies escolhidas são todas de crescimento mais ou menos rápido, dado o carácter provisório das instalações (…). Também se atendeu a uma conservação do jardim fácil e económica pelo que as plantas herbáceas são vivazes e muito rústicas. A floração do “mixed-border” e os diferentes tons do arvoredo ao longo do ano permitem aspetos sempre renovados do Jardim. No recinto da entrada, no qual se destaca uma escultura de António Duarte, pretende-se um arranjo muito sóbrio e de valorização daquela escultura. (…) Um grupo de três choupos negros, colocado a poente equilibrará o volume do pinheiro já existente no local” (…) – Relatório de actividades de novembro de 1956 a junho de 1958

A construção deste jardim foi da responsabilidade da empresa Viveiros de Falcão pois apresentava “condições de idoneidade necessárias, além de se encontrar paredes-meias com o Pavilhão Provisório, e de ter apresentado a proposta mais baixa”. FCG SPO Arquivo Morto Pasta 104 Proc. 56.

  • Data de produção: 1958
  • Projetistas (autores principais): TELLES, Gonçalo Pereira Ribeiro
  • Fase do projeto: A preparação do parque e as instalações provisórias
  • Identificador: PT FCG FCG:SPO-S002-DES00051

Para consultar a versão original deste documento deverá contactar os Arquivos Gulbenkian através do endereço eletrónico [email protected] e referenciar o identificador