Hashim Samarchi

«Em 1966, terminei o meu curso na Academia de Belas-Artes em Bagdade e, em 1967, enquanto trabalhava como professor de desenho no Reino da Arábia Saudita, fui nomeado pela Associação dos Artistas Iraquianos para usufruir de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, de forma a desenvolver e aperfeiçoar o meu trabalho nas artes gráficas.

Graças a esta bolsa, tive a oportunidade e a honra de trabalhar dois anos na Cooperativa Gravura, em Lisboa, onde conheci um grande número de artistas portugueses e estrangeiros. Esses dois anos, partilhados com dois colegas artistas, Salim al-Dabbagh e o falecido Rafa Nasiri, foram dos mais produtivos e comprometidos que dediquei às artes gráficas. Os dias que passei na Gravura, na companhia de vários artistas portugueses, dos quais destaco particularmente a Alice, a sua irmã, e o Fernando, entre outros cujos nomes não me recordo, assim como de trabalhadores e responsáveis na Gravura, foram os mais belos que vivi em termos de atividade, empenho e trabalho contínuo.

As obras que executei, numa primeira fase, eram apenas impressões, fantasias e composições baseadas na natureza ou na imaginação. Depois comecei a pesquisar sobre o ponto e as composições permitidas durante o seu processamento e movimento. Do ponto surge a linha, e desta linha surge a forma, e da repetição da forma surge o objeto do trabalho artístico e o impacto destas formas na visão de cada um; e o mesmo se passa relativamente à cor, à sua combinação e gradação com outras cores, pois quando a combinação de cores muda, também muda a impressão causada. É uma característica das artes gráficas que as difere da pintura feita à mão com pincéis.»

Depoimento do artista, setembro de 2018

Atualização em 04 Junho 2019