Ângelo de Sousa

Ângelo César Cardoso de Sousa nasceu a 2 de Fevereiro de 1938 na então capital de Moçambique - Lourenço Marques, atual Maputo. Aproveitando uma bolsa de estudo em Belas Artes da Caixa Económica Postal de Lourenço Marques, foi viver para Portugal com 17 anos, e fixou-se no Porto. Estudou Pintura, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto onde esteve entre 1955 a 1963, integrando logo depois o corpo docente da faculdade durante quase quatro décadas e tornando-se o primeiro professor catedrático em Pintura daquela faculdade.

O seu trabalho em pintura foi exposto publicamente pela primeira vez, em 1959, na Galeria Divulgação, no Porto, em conjunto com Almada Negreiros e no âmbito de um ciclo de exposições. Mostraram-se sete pinturas suas feitas em cera encáustica e sete trabalhos de Almada Negreiros. No ano de 1964 Ângelo de Sousa é um dos fundadores da Cooperativa Árvore, juntamente com os colegas Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues. No início da mesma década de 60, começou a produzir esculturas, primeiro em acrílico, depois em alumínio, e também em ferro e aço inoxidável, entre outros materiais. No final dessa mesma década (1967-1968) viveu dez meses em Londres, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do British Council. Frequentou a Slade School of Art e a Saint Martin's School of Fine Art. Explorou nesse período o seu interesse pelo cinema experimental. Na sua estada em Londres adquire a sua primeira câmara de filmar, e um fotómetro de mão, os trabalhos fílmicos e fotográficos que produzirá encontram divulgação tardia, em 2001, na exposição retrospetiva Sem Prata no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Ainda entre os anos de 1968 e 1972 integrou o grupo “Os Quatro Vintes”, com os colegas Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues assim nomeado por todos terem obtido a classificação máxima na licenciatura em Pintura na ESBA. Este grupo não propunha um programa comum, nem preocupações artísticas partilhadas, mas pretendiam antes assumir uma estratégia de divulgação e promoção pública organizada.

 

No seu percurso, Ângelo de Sousa não trabalhou uma metodologia única, e não foi sua preocupação a definição de um estilo mas antes a experimentação contínua de novas técnicas e processos. Trabalhou em cenografia e figuração, trabalhou em pintura, escultura, desenho, filme, fotografia e ilustrou livros de poetas e romancistas portugueses como Eugénio de Andrade ou Natália Correia.

 

Em 1972 foi-lhe atribuída a Menção Honrosa do prémio Soquil, pela Secção Portuguesa da AICA. Participou na XIII Bienal de São Paulo, em 1975, onde foi premiado, e na Bienal de Veneza, de 1978. Em 2008, Ângelo de Sousa e o arquiteto Eduardo Souto de Moura representaram Portugal na 11.ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza, em Itália.

 

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves dedicou-lhe uma retrospetiva em 1993, de pintura e desenho. Em 2003, o CAM da Fundação Calouste Gulbenkian apresentou trabalhos em desenho, na exposição intitulada Transcrições e Orquestrações: Desenhos de Ângelo de Sousa. Em 2010, Jorge Silva Melo realizou um filme que acompanhou Ângelo de Sousa no último período da sua vida, intitulado: Ângelo de Sousa – Tudo o que Sou Capaz.

 

Ângelo de Sousa faleceu na sua casa no Porto, no dia 29 de Março de 2011, aos 73 anos de idade.

 

 

Catarian Crua

Junho 2013