Tapeçaria Polaca Contemporânea
1984
A exposição «Tapeçaria Polaca Contemporânea» foi inaugurada a 8 de março de 1984, na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (piso 0), contando com a presença do embaixador da Polónia, Boguslaw Zakrzewski.
Patente até 4 de abril, esta exposição deu a ver ao público português a tapeçaria polaca dos últimos vinte anos, numa seleção criteriosamente levada a cabo por Halina Jurga, conservadora da Secção do Tecido Artístico do Museu Central do Tecido de Lodz, e por Norbert Zawisza, diretor da mesma instituição.
Antes de ter sido apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), a exposição esteve patente no Museo Arqueológico Nacional, em Madrid, em janeiro de 1984.
O catálogo da exposição compreende uma curta introdução assinada por José Sommer Ribeiro, diretor do Serviço de Exposições e Museografia da FCG, que justifica a importância dos artistas polacos na tapeçaria contemporânea, citando dois acontecimentos que contribuíram para o desenvolvimento da tapeçaria contemporânea polaca: a criação do Atelier de Exposições de Tapeçaria, em 1951, e a criação do Museu Central de Tapeçaria de Lodz, em 1960. O texto releva ainda a data da exposição, que celebra os dez anos de relações diplomáticas luso-polacas e o 40.º aniversário do Dia da Libertação.
Num outro texto, Halina Jurga, comissária da exposição, traça o percurso da tapeçaria contemporânea polaca desde meados do século XIX até 1984. O catálogo inclui ainda pequenas biografias dos artistas representados e reproduções de obras expostas.
A exposição foi objeto de larga cobertura na imprensa nacional, com vários artigos que reconstituem a trajetória da tapeçaria polaca e realçam alguns nomes de artistas representados. Manuela de Azevedo, no Diário de Notícias, elogia a mostra, começando por dizer que «ninguém pode passar indiferente perante a admirável colecção de tapeçarias enviadas da Polónia à Gulbenkian» (Azevedo, Diário de Notícias, 15 abr. 1984). O restante corpo do artigo é dedicado à análise das técnicas e materiais usados, que combinam tradição com modernidade, nomeadamente ao nível das imagens representadas, como é o caso da esquematização fotográfica de uma cena do filme A Morte em Veneza, de Luchino Visconti.
António Melo, no jornal O Diário, discorre primeiro acerca das possíveis origens da tecelagem nas comunidades humanas, para refletir depois sobre as características gerais das obras patentes na Galeria de Exposições Temporárias da FCG, de entre as quais distingue a tapeçaria Anna Urbanowicz-Krowacka [1938] intitulada Entardecer. Citando Halina Jurga, o autor salienta que «a intenção principal» da exposição foi «mostrar as principais tendências da tapeçaria polaca contemporânea», e acrescenta que se trata, «sem favor, das mais evoluídas e diversificadas em toda a Europa», razão pela qual «recomenda vivamente» a visita à exposição (Melo, O Diário, 25 mar. 1984).
Também Mário de Oliveira faz o elogio da exposição no artigo que lhe dedica no jornal O País, referindo-se aos seus vários aspetos: «Esta excelente exposição de Tapeçaria Polaca Contemporânea muito bem seleccionada por Halina Jurga, Conservadora da Secção de Tapeçaria Artística do Museu Central de Tapeçaria, e que está patente ao público na Fundação Calouste Gulbenkian, em magnífica e exemplar montagem na organização dos espaços, é sem dúvida um documento artístico muito positivo da vida cultural da Polónia.» (Oliveira, O País, 22 mar. 1984)
José Sommer Ribeiro, em carta dirigida ao embaixador da Polónia em Portugal, Boguslaw Zakrzewski, comentaria que a exposição foi um «grande êxito» e que contabilizou «26 035 visitantes, sendo de destacar as numerosas escolas que a esta Fundação se deslocaram com o objectivo de poderem apreciar uma mostra de tão excepcional valor» (Carta de José Sommer Ribeiro para Boguslaw Zakrzewski, 13 abr. 1984, Arquivos Gulbenkian, SEM 00286).
Carolina Matias, 2017