8.ª Bienal Internacional de Tapeçaria de Lausana
1977
Bienal Internacional de Tapeçaria de Lausanne
Exposição de apresentação das obras reunidas na «8.ª Bienal Internacional da Tapeçaria de Lausana». Inaugurou-se na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), depois de exibida na cidade suíça.
Após a sua montagem no Musée Cantonal des Beaux-Arts (Lausanne, 1977), com o patrocínio do Centre International de la Tapisserie Ancienne et Moderne (CITAM), a «8.ª Bienal Internacional da Tapeçaria de Lausana», organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo CITAM e comissariada por Claude Ritschard (secretária-geral do CITAM), reuniu um total de 65 artistas, representativos dos seguintes países: Alemanha, Bélgica, Bolívia, Canadá, Checoslováquia, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Itália, Japão, Jugoslávia, México, Polónia, Roménia e Suíça.
Em maio de 1977, René Berger, diretor do Musée Cantonal de Lausanne, já visitara Portugal, por ocasião de uma cerimónia na Aula Magna da Universidade de Lisboa, onde se referiu ao facto de a «Exposição Internacional de Tapeçaria» vir a ser apresentada na FCG daí a poucos meses. No decurso dessa apresentação, Berger, membro do júri de seleção das obras da Bienal, declarava que, embora houvessem concorrido ao evento candidatos portugueses, nenhum deles havia sido selecionado para figurar na mostra.
O júri internacional fora composto por onze personalidades representativas de importantes instituições culturais europeias. No prefácio do catálogo da exposição, da autoria de René Berger, que o assina em representação do júri, explicam-se os critérios a que obedeceu a escolha das obras. Segundo informações do próprio autor, nenhuma das decisões foi tomada por unanimidade.
A exposição contou com uma Comissão de Honra, da qual fizeram parte reconhecidas personalidades da Europa, dos Estados Unidos da América, da Austrália, da América Latina e do Japão, com o patrocínio do Centro Internacional de Tapeçaria Antiga e Moderna. Integraram igualmente a organização da exposição, uma Comissão Executiva, presidida por Jean-Pascal Delamuraz, síndico e conselheiro nacional de Lausanne, e uma Comissão Organizadora, presidida por Jacques-François Bally, delegado para os assuntos culturais da cidade de Lausanne e membro da Comissão Executiva do CITAM. No catálogo da exposição é possível consultar discriminadamente os elementos que integraram as mencionadas comissões.
Consultada a documentação de arquivo referente a esta exposição, destaca-se a variada correspondência interna, nomeadamente uma carta redigida pelo diretor do Serviço de Exposições e Museografia da FCG, José Sommer Ribeiro, em que se justifica a importância e os objetivos da apresentação da Bienal de Tapeçaria em Lisboa: «A vinda a Portugal de tal certame […] tem o maior interesse, uma vez que, após o grande esforço desenvolvido pela manufactura de Portalegre, no princípio dos anos 50 e 60, pouco ou nada se tem progredido no domínio desta técnica. Somente em 1975, tivemos ocasião de apresentar em Lisboa algumas tapeçarias de Nicole e Douchez, que, no Brasil, abriram novos caminhos àquela Arte. No entanto, julgamos essencial aproveitar esta oportunidade, para que os artistas portugueses possam ter um contacto directo com caminhos actuais dessa Arte.» (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, 22 out. 1977, Arquivos Gulbenkian, SEM00112)
Nesse sentido, a Fundação Calouste Gulbenkian considerou indispensável a vinda a Lisboa de André Grau (chefe de montagem do Musée Cantonal des Beaux-Arts), para acompanhar a desembalagem e montagem das peças, assim como do historiador de arte René Berger e da comissária Claude Ritschard.
No que se refere ao catálogo da exposição, originalmente editado em francês e inglês, decidiu-se que seria mais vantajoso na exposição de Lisboa traduzir o texto para português, mantendo todavia a versão francesa. Além desta alteração, acrescentou-se um breve texto de apresentação do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, José de Azeredo Perdigão, que integrou a Comissão de Honra da exposição, conforme proposta unânime dos membros do CITAM.
Quanto às atividades culturais em torno da exposição, René Berger propôs apresentar filmes e slides sobre as várias edições da Bienal, bem como uma conferência-debate, que ele próprio assegurou, intitulada «Arte e Tapeçaria de Hoje».
Dada a aprovação das mencionadas atividades, a FCG julgou ainda proveitoso que o público português possuísse um conhecimento prévio do certame, pelo que foi exibido na televisão nacional (RTP) um filme sobre a Bienal, do produtor Pierre Gisling. Além desta iniciativa, foi organizada uma reunião informal que juntou René Berger e Claude Ritschard a artistas tapeceiros e fabricantes portugueses.
Joana Brito, 2016