Exposição de Litografias e Tapeçarias Contemporâneas Francesas
1978
Exposição itinerante, especialmente dedicada à litografia e à tapeçaria francesa contemporânea, organizada conjuntamente pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, por iniciativa da Embaixada de França em Portugal.
O projeto expositivo compreendeu um total de 41 obras (7 tapeçarias e 34 litografias) da autoria de 25 artistas franceses, ou a residir em França, entre os quais se destacavam Jean Bazaine (1904-2001) e André Beaudin (1895-1979).
No prefácio do catálogo da exposição, Denise Breteau referia os propósitos da exposição. Este projeto pretendia que «se reunissem alguns artistas conhecidos e fossem dados a conhecer outros, mais jovens mas não menos talentosos, oferecendo assim um modesto panorama das pesquisas actuais. De práticas culturais diversas, pintores, escultores, gravadores e mesmo arquitectos, todos ilustram bem as tendências do momento» (Exposição de Litografias e Tapeçarias Contemporâneas Francesas, 1978).
Organizada pelo Serviço de Exposições e Museografia da FCG, a exposição foi apresentada em Portugal Continental, nas cidades de Vila Real, Viseu, Portalegre e Évora, contando também com uma apresentação em Ponta Delgada, aproveitando o trabalho dos técnicos da FCG que se encontravam nessa cidade para a montagem da exposição de gravuras de Maria Helena Vieira da Silva, o que em ofício interno é justificado do seguinte modo: «A apresentação simultânea destas duas exposições julgo ser de grande interesse, tanto mais que as litografias apresentadas muitas delas são de artistas contemporâneos e amigos de Vieira da Silva.» (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, 3 abr. 1978, Arquivos Gulbenkian, SEM 00239)
De facto, a exposição dava especial enfoque a alguns artistas da designada «Escola de Paris», à qual Vieira da Silva e o seu marido, o pintor Arpad Szenes, se associavam.
A edição da mostra em Portalegre contou ainda com a exibição conjunta de uma exposição de trabalhos realizados pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, num total de 12 obras tecidas a partir de cartões de artistas franceses.
O material fotográfico atesta a presença do diretor do Serviço de Exposições e Museografia, José Sommer Ribeiro, e do presidente da FCG, José de Azeredo Perdigão, durante o ato inaugural da exposição em Viseu, cidade de que era natural o presidente da Fundação. A propósito dessa visita, José de Azeredo Perdigão reforçaria a importância do envolvimento das populações com a ação da Fundação: «Nós estamos receptivos a tudo, mas a verdade é que as iniciativas têm de partir das terras e das suas gentes. Não se pode ficar de braços cruzados à espera que sejam os outros a terem o trabalho.» (Perdigão, Diário de Coimbra, 13 mar. 1973)
Filipa Coimbra, 2017