Pintoras Portuguesas do Séc. XX

Exposição coletiva de dez pintoras portuguesas contemporâneas, organizada pelo Leal Senado de Macau, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian, por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Mulher, em Macau. A partir de um olhar feminino, a mostra permitiu estabelecer relações, aproximações e distinções entre práticas artísticas com diferentes origens, valores e códigos visuais.
Collective exhibition of ten female contemporary Portuguese painters organised by the Municipal Council of Macau in collaboration with the Calouste Gulbenkian Foundation for the International Women's Day celebrations held in Macau. The show made it possible to establish relationships, rapprochements, and differences between artistic practices of different origins, values, and visual codes, from a female perspective.

Exposição de pintoras portuguesas contemporâneas organizada pelo Leal Senado de Macau, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Oriente, por ocasião das comemorações em Macau do Dia Internacional da Mulher, em 1990. A mostra encerrou o «Ciclo de Pintura no Feminino», iniciado um ano antes, em 1989, com uma primeira exposição de pintoras de Macau e Hong Kong, à qual se seguiu uma outra exposição de pintoras chinesas.

Esta iniciativa deu continuidade ao intercâmbio cultural entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o Leal Senado de Macau, particularmente ativo desde os anos de 1986/87, tendo dado origem a diversas exposições de arte (cf. «Os Naturalistas», 1986; «Columbano Bordalo Pinheiro», 1986; «Os Pioneiros do Modernismo», 1986; «Almada Negreiros», 1986; «Anos 40 a 60 na Pintura Portuguesa», 1986; «As Últimas Décadas», 1986; «100 Anos de Pintura Portuguesa», 1987).

Inicialmente pensada para ser uma exposição conjunta de artistas portuguesas e chinesas, cedo se percebeu que o espaço disponível da Galeria de Exposições Temporárias do Leal Senado de Macau não comportava uma mostra tão alargada, o que levou ao seu desdobramento em duas exposições distintas.

O comissariado da exposição foi entregue, por indicação de José Sommer Ribeiro, diretor do Centro de Arte Moderna, à artista plástica Teresa Magalhães, que, à data, era também docente do ensino secundário e que, por essa via, poderia contribuir também para o esclarecimento de um público pouco iniciado na pintura europeia (Carta de José Sommer Ribeiro para Maria de Lourdes Paixão, 7 fev. 1990, Arquivos Gulbenkian, CAM 00184).

Coube à comissária a seleção das dez pintoras portuguesas contemporâneas – Ana Vidigal, Fátima Vaz, Graça Morais, Graça Pereira Coutinho, Helena Almeida, Ilda David, Maria Beatriz, Maria José Aguiar, Menez e Paula Rego –, numa representação que pretendia abranger uma série de tendências diferenciadas: a «exuberância da cor e a liberdade formal» da pintura de Menez; a «permanente interrogação sobre a pintura» na obra de Helena Almeida; «o turbilhão da acção» e a «exuberância total» na pintura libertadora de Paula Rego; os «micro-paraísos» de Maria Beatriz; as «infinitas partículas de tons cintilantes» da pintura de Fátima Vaz; as «paisagens humanas carregadas de misticismo» na obra de Graça Morais; a «simbologia erótica» e o «jogo formal das figurações» na pintura de Maria José Aguiar; o lado matérico e formal das «paisagens desejadas» de Graça Pereira Coutinho; a pintura «vivida», «imaginada» e «lúdica» de Ana Vidigal; as «figuras distendidas vagueando por largos espaços abertos» na pintura de Ilda David, a artista mais nova representada na exposição (Pintoras Portuguesas do Séc. XX, 1990).

Além de revelar a versatilidade e a originalidade das pintoras portuguesas, esta mostra integrava-se num programa mais amplo, com diversas exposições de arte, permitindo estabelecer relações, aproximações e distinções sobre práticas artísticas com origens, valores e códigos visuais distintos.

Para Teresa Magalhães a exposição tinha como objetivo «penetrar em cada uma destas pinturas e descobrir os universos singulares das suas autoras», permitindo pensar simultaneamente sobre Portugal (Ibid.).

Como era referido no catálogo, e sem o espartilho do género, a exposição trazia a público «alguma da melhor pintura que se tem produzido nos últimos anos em Portugal» (Ibid.)

Com esta exposição, a comissária prestava também homenagem à grande pintora de origem portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, com quem, entendia, Portugal estava em dívida.

Em carta dirigida a José Sommer Ribeiro, António Pedro Pires, diretor dos Serviços Recreativos e Culturais do Leal Senado de Macau, dava conta do «verdadeiro êxito» que a exposição teve em Macau, ao merecer «as melhores críticas da imprensa portuguesa do Território» (Carta de António Pedro Pires para José Sommer Ribeiro, 20 mar. 1990, Arquivos Gulbenkian, CAM 00184).

Filipa Coimbra, 2018


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Pintura

Menez (1926-1995)

Pintura, 1977 / Inv. 78P193


Publicações


Documentação


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00184

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém empréstimos, seguros, lista de obras, correspondência recebida e expedida, elementos para o catálogo. 1988 – 1990


Exposições Relacionadas

Menez

Menez

1990 / Sede Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

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