Federico García Lorca. Teatro, Vida e Morte
jan 1987
Exposição integrada na iniciativa comemorativa do cinquentenário da morte de Federico García Lorca (1898-1936), intitulada «Encontro com Lorca» e organizada pelo Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (ACARTE), em colaboração com o Centro de Arte Moderna.
García Lorca, «artista de talentos multifacetados», como Madalena de Azeredo Perdigão o define (Federico García Lorca. Teatro, Vida e Morte, 1987, p. 3), foi homenageado ao longo do mês de janeiro de 1987 com a representação de uma peça de sua autoria, espetáculos musicais, conferências e esta exposição.
Inaugurada a 8 de janeiro de 1987, no Hall do Centro de Arte Moderna (CAM), esta mostra, com curadoria do historiador de teatro e dramaturgo Luiz Francisco Rebello, procurava dar a conhecer a repercussão da obra de Lorca em Portugal e Espanha. Por outro lado, esta servia igualmente como complemento aos outros eventos que decorreram na Sala Polivalente do CAM.
Na primeira parte, sob o título «Vida e Morte», encontrava-se reunida uma série de registos fotográficos que percorriam vários momentos da vida de Lorca, de 1899 a 1936, e três águas-fortes, da autoria de José Caballero (1915-1991) – amigo e companheiro na aventura de La Barraca, grupo de teatro universitário –, que representavam a sua morte trágica. Bastante mais significativa era a parte dedicada ao teatro, também esta organizada cronologicamente. A cada peça de teatro selecionada correspondiam materiais de natureza distinta, que revelavam aspetos da sua história e remetiam para a sua posterior difusão em Espanha e Portugal. Esta parte começava com El Maleficio de la Mariposa (1919), sua primeira obra teatral, e terminava com registos da atividade do grupo de teatro La Barraca, que García Lorca coordenara e dirigira com Eduardo Ugarte. Assim, aos manuscritos originais, primeiras edições, desenhos cenográficos de García Lorca, maquetas, figurinos das primeiras encenações, cartazes e programas das estreias, juntavam-se traduções, registos fotográficos, maquetas de cenários, adereços, programas e cartazes de posteriores encenações em Espanha e, em especial, em Portugal. O objetivo era mostrar a relevância da obra de Federico García Lorca, e como esta havia sido intensamente trabalhada em Portugal, contando com traduções de Eugénio de Andrade, Gonçalo Gomes e Luiz Francisco Rebello.
Para a reunião de todo esse material, parte do qual era mostrado publicamente pela primeira vez após a morte de Lorca, foi essencial a colaboração da Fundación Federico García Lorca, de José Caballero, do Museu Nacional do Teatro e dos teatros portugueses que haviam levado à cena tais peças.
Mariana Roquette Teixeira, 2017