Realismo Norte-Americano Contemporâneo desde 1960
1982
Exposição organizada pela Pennsylvania Academy of the Fine Arts e trazida a Portugal graças à ação da Embaixada dos Estados Unidos da América em Portugal, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Esta digressão europeia foi também apoiada pela United States International Communication Agency e pelo Federal Council on the Arts and Humanities.
A curadoria da exposição foi assumida pelo responsável do Departamento de Belas-Artes da Pennsylvania Academy of the Fine Arts, Frank H. Goodyear Jr., ficando a produção a cargo de Richard Boyle, diretor da Pennsylvania Academy of the Fine Arts.
Na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian foram apresentadas 140 obras realizadas por 93 artistas, entre os quais Chuck Close (1940), George Segal (1924-2000) e Alice Neel (1900-1984), apenas para citar alguns dos nomes mais representativos.
Herdeiras da fotografia e da tradição realista, estas obras, executadas durante cerca de duas décadas (1960-1980), distinguiam-se principalmente nos géneros da paisagem, natureza-morta e na figura humana.
Este conjunto de pintura realista americana destacava-se pela grande diversidade de técnicas e de materiais, contando com 17 aguarelas, 11 desenhos, 95 pinturas (a óleo, acrílico, pastel de óleo) e 17 esculturas hiper-realistas (em polivinil, bronze, chumbo, cal hidráulica, mármore, cerâmica ou plexiglas).
A respeito desta exposição, o crítico José-Augusto França avançaria com uma posição bastante crítica, referindo-se ao realismo americano como a «procura de uma realidade perdida e de uma moral antiga e ausente». Afirmando, contudo, a distinção de valor entre os vários trabalhos expostos, e a respeito da estética hiper-realista iria ainda mais longe: «E híper por híper, quase se está tentado a dizer que os neo-realistas chineses actuais fazem melhor, mais convincente e maior – para não falar dos soviéticos.» (França, Colóquio/Artes, dez. 1982, p. 70)
A ideia de diversidade e pluralismo relativamente ao movimento estético do realismo norte-americano era desde logo assumido pelos organizadores no prefácio do catálogo, como uma das maiores relevâncias desta mostra coletiva.
O crítico Alexandre Pomar destacaria também o caráter polémico da exposição, mas assumindo uma atitude atenta às próprias contradições e superações da estética realista norte-americana, que poderia ser entendida em sentido «retardatário» ou então «menosprezada»:
«Que nos traz esta grande exposição […]? Será, segundo alternativas postas pela própria crítica norte-americana, a expressão de “o renascimento reaccionário de uma tradição exausta” ou “um movimento multifacetado em que todos os aspectos do modernismo vão influenciar uma nova forma representativa de pintura e escultura”. Certamente ambas as coisas.» (Pomar, Diário de Notícias, 29 set. 1982)
A pedido do pintor Júlio Resende, em representação do Conselho Directivo da 2.ª Divisão da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, o Serviço de Belas-Artes da FCG viria a atribuir um subsídio de deslocação a 130 alunos e professores, a fim de poderem visitar a exposição (Arquivos Gulbenkian, SBA 02537).
Relacionada com o tema da exposição e integrada na sua programação, foi proferida uma conferência por Richard Boyle, diretor da Pennsylvania Academy of the Fine Arts e produtor do evento.
Filipa Coimbra, 2017