Alguns Reflexos da Arte da China em Portugal

Exposição itinerante de documentação fotográfica, enquadrada no plano de descentralização cultural. Expondo as influências artísticas resultantes dos contactos mantidos pelos portugueses no Oriente, a mostra foi concretizada em 20 painéis a cores, montados sobre encaixes de madeira.
Travelling documentary exhibition organised by the Calouste Gulbenkian Foundation and held as part of its cultural decentralisation programme. The show illustrated the artistic influences that had emerged from Portugal's sustained contact with the East, in a display of 20 colour panels mounted on wood cases.

Exposição itinerante de documentação fotográfica, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e organizada por Artur Nobre de Gusmão, então diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG, enquadrada no plano de descentralização cultural implementado e mais amplamente promovido por aquele serviço desde a década de 1970 e seguido nas décadas posteriores.

O material documental desta exposição centrava-se nas influências artísticas resultantes dos contactos mantidos pelos portugueses no Oriente, especialmente no fabrico de porcelanas, realizadas à maneira chinesa já durante o século XVI e cujas práticas conduziram a uma hibridização dos motivos.

Como é referido na introdução do catálogo da exposição, o papel dos portugueses foi determinante na mistura de estilos orientais e europeus e na introdução da chinoiserie na Europa, em voga principalmente durante o século XVIII. A documentar este tema artístico, foram montados sobre encaixes de madeira 20 painéis fotográficos a cores (60 × 50 cm), que consistiam na reprodução de obras (essencialmente porcelanas e cerâmicas de inspiração chinesa) de várias instituições, como o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Nacional de Machado de Castro, mas também de pormenores de obras inscritas na arquitetura, como painéis de azulejos e ainda algumas peças de mobiliário.

A mostra foi exibida em mais de vinte cidades e localidades, somando um total de 24 exibições durante um período de nove anos (1982-1990), cinco dos quais em contexto internacional.

Os percursos anuais eram agendados e calendarizados atendendo à proximidade entre localidades, por forma a não se despender recursos em transportes desnecessários, havendo contudo alguma flexibilidade: «[…] organizar os circuitos da exposição com uma liberdade que permita que vão sendo feitos “desvios” e modificações, sem prejuízo de compromissos, logo que existam, de modo a que tanto quanto possível o certame apareça, por interesse local, espontâneo e não em cumprimento racional de um plano externo.» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 22 abr. 1977, Arquivos Gulbenkian, SBA 15589)

As paragens nos circuitos deveram-se quase exclusivamente aos trabalhos de reparação e restauro de algum material expositivo, devido ao constante desgaste a que as obras eram submetidas, ou aos transportes, montagens e embalagens. A FCG, que nestes anos dedicou parte da sua ação a exposições temáticas, documentais e itinerantes, dispunha de um armazém em Carnaxide especialmente dedicado ao acondicionamento e inventário destas exposições.

Através de exposições itinerantes como esta, de fácil transporte e não dispendiosas, a FCG empreendia uma ação descentralizadora, promovendo uma ação cultural de norte a sul do país. Outros exemplos de exposições itinerantes organizadas e promovidas pela FCG neste período, e que contaram com ampla circulação nacional, foram as mostras «Presépios Portugueses», «A Talha em Portugal», «A Arquitectura Romana em Portugal», entre outras.

Se a circulação nacional era o principal desígnio destas exposições, a verdade é que elas não se circunscreveram à itinerância pelo país. O ano de 1982 foi particularmente ativo nas relações culturais entre a Fundação Calouste Gulbenkian e Macau. Além desta exposição de documentação fotográfica, foi apresentada uma outra, dedicada à talha, tendo a FCG prestado apoio de consultoria no plano de restauros do Seminário de São José, em Macau.

Cada localidade se responsabilizava pela programação das suas atividades de extensão cultural (nomeadamente, visitas guiadas à exposição), havendo a indicação da realização de duas conferências, proferidas em Braga e em Castelo Branco pelo diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG. Também em Braga a apresentação do certame foi articulada com obras do acervo do Museu Nogueira e Silva, «muito semelhantes em qualidade e época» (Reflexos da Arte da China em Portugal, 1987).

A exposição só viria a ser apresentada na sede da FCG em novembro de 1984, não havendo registos fotográficos da sua configuração. Apenas se sabe que foi inaugurada na presença do presidente da República Popular da China, integrada no programa da visita oficial do chefe de Estado.

Filipa Coimbra, 2017


Ficha Técnica


Eventos Paralelos

Conferência / Palestra

Arte Oriental em Portugal

16 out 1984
Museu Francisco Tavares Proença Júnior
Castelo Branco, Portugal
28 out 1987
Museu Nogueira da Silva
Braga, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15589

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência com as instituições relacionadas, convite, catálogo e folhetos, mapas de itinerância, aspetos fotográficos, material gráfico e recortes de imprensa. 1981 – 1991

Biblioteca de Arte Gulbenkian, Lisboa / Dossiê BA/FCG

Coleção de dossiês com recortes de imprensa de eventos realizados nas décadas de 80 e 90 do século XX, organizados de forma temática e cronológica. 1984 – 1997

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25117

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém catálogo e folheto. 1982 – 1990

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15575

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência recebida e expedida, orçamentos, ofícios internos, mapas de itinerâncias de várias exposições temporárias e de documentação fotográfica. 1983 – 1992

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 18115

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém orçamentos de deslocações em serviço referentes às sucessivas montagens das exposições itinerantes de documentação fotográfica. 1980 – 1985

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 14323

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém ofícios internos e correspondência referente a iniciativas promovidas em Macau. 1979 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 18105

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Orçamentos relativos à montagem da itinerância da exposição em Beja e Ferreira do Alentejo 1985 – 1985

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 21183

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém elementos para o catálogo da exposição itinerante, mapa de Portugal, relatório da viagem à China do diretor do Serviço de Belas-Artes e montagem das exposições em Pequim. 1981 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15589

Coleção fotográfica, cor: aspetos ( MNMC, Coimbra) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15589

Coleção fotográfica, cor: aspetos (Museu Francisco Tavares Proença Jr., Castelo Branco) 1984

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15589

Coleção fotográfica, cor: aspetos (Museu Municipal de Viana do Castelo,Viana do Castelo) 1983

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15589

Coleção fotográfica, cor: aspetos (Museu de Lamego, Lamego) 1983


Exposições Relacionadas

Definição de Cookies

Definição de Cookies

A Fundação Calouste Gulbenkian usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.