Paula Rego

S. Vomiting the Pátria [Salazar a Vomitar a Pátria]
1960 (data atribuída)

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Reino Unido, 2022)
Título
S. Vomiting the Pátria [Salazar a Vomitar a Pátria]
Data
1960
Materials and media
Tela; Óleo
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
Altura 95,00 cm; Largura 120,00 cm
N.º de inventário
83P417

Inscrições

Tipo
Título
Descrição
S. Vomiting the Pátria
Posição
Verso, quadrante superior esquerdo

Incorporação

Tipo
Aquisição
Local
Lisboa
Proveniência
Jorge de Brito
Data
Julho de 1983

Texto

Victor Musgrave, fundador da emblemática Gallery One, em Londres e entusiasta da obra de Paula Rego e do que nela reconhecia de «marginal», recusou-se a expor Salazar a Vomitar a Pátria porque, na sua opinião, tinha «falos a mais». Em Lisboa, a Galeria de S. Mamede incluiu-a no catálogo da exposição 10 Artistas da Galeria S. Mamede, realizada em Maio de 1972, mas omitiu o nome do ditador e substituiu «vomitar» pelo inglês «vomiting».

«Será que ousarei, disse a mim mesma, ousarei fazer a pintura de Salazar a vomitar a Pátria? Porque na realidade o que devia ser era a Pátria a vomitar Salazar. Isto até era ligeiramente simpático em relação ao ditador, o que era uma coisa extremamente perversa», recorda Paula Rego em conversa com Marco Livingstone, comissário da exposição retrospetiva realizada no Museo Nacional Reina Sofía, Madrid, 2007.  «Ousarei?», interrogava-se Paula Rego com insistência. E de facto ousou. Com um humor sardónico e uma espécie de expressionismo orgânico fez justiça à educação liberal que o pai lhe transmitira e que soubera aprofundar em Inglaterra. Se a leitura das obras eróticas de Henry Miller tinha sido libertadora, a descoberta da pintura visceral de Jean Dubuffet, nomeadamente na exposição Paintings 1943 – 1957, na Arthur Tooth & Sons Gallery (Londres, 1958), consolida a vontade da artista seguir o seu próprio caminho, mesmo que isso implicasse não fazer a pintura «séria, de adulto», aprendida na Slade School, e incomodar a moral instituída.

Ao lado de Salazar está uma mulher de ostensivos pêlos púbicos. Na conversa com Marco Livingstone, citada anteriormente, Paula Rego conclui: «Ainda não sei o que está aquela mulher ali a fazer, mas ela tem um escudo.»

 

Susana Neves

Maio 2010

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