• 2000
  • Vídeo, cor, som, 50' .Edição 1/3
  • Inv. IM33

Ana Vidigal

Domingo à Tarde

Domingo à Tarde, apesar de ser um vídeo e Ana Vidigal ter-se afirmado sobretudo como pintora desde a década 1980, funciona como uma chave para toda a obra dado que revela a prática, a metodologia e o processo de Vidigal.

Assumidamente doméstico – câmara fixa, por vezes desfocado, azulejos em fundo –, o vídeo regista a artista a operar uma série de acções sobre o seu próprio rosto: primeiro, cobre-o de fita-cola dupla; depois, adiciona-lhe pioneses, plasticina, enclausura-o num saco de plástico transparente; finalmente, apresenta-o reflectido numa superfície espelhada que o deforma e transfigura com a ajuda das mãos e de sucessivos esgares e caretas.

Martha Rosler, Bruce Nauman, Helena Almeida e mesmo Francis Bacon ecoam nestas imagens, mas nunca de um modo epigonal, antes como consciência assumida que o acto artístico é sempre um aprofundamento ou um passo mais à frente, ou ao lado, daquilo que outros criadores fizeram. Os criadores podem vir de um passado artístico longínquo ou não; no caso de Vidigal, é um passado recente, é a arte do século XX: do modernismo à pop, passando pelo recurso ao texto e à ironia corrosiva do conceptualismo, bem como à desmontagem da iconografia da sociedade mediática operada pelo feminismo.

A auto-representação, a auto-referencialidade, a colagem, a sobreposição, a transparência e a utilização de materiais comuns, características que atravessam a obra de Vidigal, tudo está neste vídeo. Mas também a criação de uma espécie de máscara ou armadura que simultaneamente protege e afasta (se entrássemos em contacto com aquele rosto cravado de tachas magoar-nos-íamos). A sequência de acções do vídeo possui também algo de autopunição, a dada altura tememos mesmo que o rosto sufoque dentro do saco de plástico. Um ano mais tarde, a artista usou stills deste vídeo acrescentando-lhes texto para criar uma outra obra que tem um título revelador: Tornei-me Feminista para Não Ser Masoquista.

Isabel Carlos

Abril de 2013

TipoDoação
DataSetembro de 2010
Ana Vidigal. 1980-2010. menina limpa menina suja / clean girl dirty girl
Lisboa, CAM - FCG, 2010
ISBN:978-972-635-217-4
Catálogo de exposição
Ana Vidigal. 1980-2010. menina limpa menina suja / clean girl dirty girl
CAM/FCG
Curadoria: Isabel Carlos
23.07.2010 a 26.09.2010
Lisboa, Piso 0 e 1 do CAM
Menina Limpa, Menina Suja é o título de uma série de obras de Ana Vidigal de 2000 e impõe-se como título desta exposição, já que constitui uma síntese perfeita dos seus trinta anos de trabalho que esta mostra antológica pretende revisitar.
Atualização em 02 fevereiro 2022

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