Quarteto Tejo

Festival dos Quartetos de Cordas

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Em parceria com a Biennale de Quatuors a Cordes de la Philharmonie de Paris, pela terceira vez na programação da Gulbenkian Música este momento musical único junta seis notáveis quartetos de cordas da atualidade num intenso festival de música de câmara de dois dias. Na temporada 2021/22, os quartetos de cordas Casals, Tejo, Jerusalem, Borusan, Marmen e Danel interpretarão uma ampla mostra do repertório para esta formação instrumental, desde J. Haydn até obras contemporâneas, com destaque para a estreia absoluta de uma nova obra do compositor português Nuno Costa, encomendada pela Fundação Gulbenkian. Uma excelente oportunidade de introdução ao género e também o momento em que cada um poderá ouvir novas interpretações de obras marcantes do repertório de câmara ou descobrir peças menos conhecidas e de mais rara possibilidade de audição.


Programa

Quarteto Tejo
André Gaio Pereira Violino
Tomás Soares Violino
Sofia Silva Sousa Viola
Beatriz Raimundo Violoncelo

Nuno Costa (n. 1986)
Buio *

Composição: 2021
Estreia: Lisboa, 22 de janeiro de 2022
Duração: c. 20 min.

O escuro (buio) do meu Tempo também é esta desconexão com o interior, o “eu” interior; o religar que há em cada Ser Humano e que vai sendo desprezado – entre nós e connosco.

Qualquer trabalho de criação o procura ser, mas, em Buio, o apelo a uma conexão com o íntimo (o meu, para começar) assume dimensões reforçadas, certamente catalisado por um período de grandes oscilações que dispensa explanações (a desconexão que poderia não ser, mas que a Vida vai apresentando).

Neste “buio” há um mundo de confrontações e de contradições que se aceitam como a sombra aceita a luz para se projetar. Em blocos dilatados que se apresentam com diferentes ângulos – por vezes iluminados, por vezes neutralizados –, o quarteto mantém o seu olhar fixo (mas não imóvel) para a descoberta de mais um (in)finito que interpela...

Nuno Costa

 

Intervalo (15 min.)

 

Franz Schubert (1797 – 1828)
Quarteto para Cordas em Ré menor, D. 810, A Morte e a Donzela
1. Allegro
2. Andante con moto
3. Scherzo: Allegro molto
4. Presto

Composição: 1824
Estreia: Berlim, 12 de março de 1833
Duração: c. 40 min.

O Quarteto para Cordas A Morte e a Donzela (Der Tod und das Mädchen) deve o seu subtítulo ao segundo andamento da obra, uma série de cinco variações sobre o tema do Lied homónimo (D. 531) que Schubert escrevera em 1817, sobre um poema de Mathias Claudius. A obra teve a sua primeira execução privada em Viena, na casa do tenor Joseph Barth, membro efetivo da capela musical da corte. Na sequência de uma segunda audição privada, ocorrida também em fevereiro, um outro amigo de Schubert, Franz Lachner, deixou por escrito o testemunho das incompreensões que rodearam as primeiras apresentações do Quarteto. Uma delas foi, segundo Lachner, manifestada pelo violinista Ignaz Schuppanzig que, em vista das suas dificuldades e asperezas, aconselhou Schubert a remeter-se exclusivamente à composição de Lieder. O certo é que a obra viria a tornar-se um ícone do Romantismo, logo depois da sua estreia póstuma em Berlim, a 12 de março de 1833. O 2.º andamento, Andante con moto, representa o fulcro emocional da obra, assistindo-se à introdução grave do tema da Morte.

Rui Cabral Lopes

 

 * Estreia absoluta. Encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian


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