Borusan Quartet

Festival dos Quartetos de Cordas 2022

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Em parceria com a Biennale de Quatuors a Cordes de la Philharmonie de Paris, pela terceira vez na programação da Gulbenkian Música este momento musical único junta seis notáveis quartetos de cordas da atualidade num intenso festival de música de câmara de dois dias. Na temporada 2021/22, os quartetos de cordas Casals, Tejo, Jerusalem, Borusan, Marmen e Danel interpretarão uma ampla mostra do repertório para esta formação instrumental, desde J. Haydn até obras contemporâneas, com destaque para a estreia absoluta de uma nova obra do compositor português Nuno Costa, encomendada pela Fundação Gulbenkian. Uma excelente oportunidade de introdução ao género e também o momento em que cada um poderá ouvir novas interpretações de obras marcantes do repertório de câmara ou descobrir peças menos conhecidas e de mais rara possibilidade de audição.


Programa

Borusan Quartet
Esen Kivrak Violino
Nilay Sancar Violino
Efdal Altun Viola
Çağ Erçağ Violoncelo

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840 – 1893)
Quarteto para Cordas n.º 3, em Mi bemol menor, op. 30
1. Andante sostenuto – Allegro moderato
2. Allegretto vivo e scherzando
3. Andante funebre e doloroso, ma con moto
4. Finale: Allegro non troppo e resoluto

Composição: 1876
Estreia: Moscovo, 28 de março de 1876
Duração: c. 36 min.

Piotr Ilitch Tchaikovsky foi o principal impulsionador dos géneros de câmara na Rússia durante a segunda metade do século XIX. Ainda que reduzido, o seu contributo neste domínio detém uma valia técnica e idiomática inegável, cuja influência se estendeu a outros vultos mais tardios da estirpe musical russa, como Sergei Rachmaninov (1873-1943) e Dmitri Chostakovitch (1906-1975).

São apenas seis as obras de câmara de Tchaikovsky detentoras de número de opus: os três quartetos para cordas, op. 11, op. 22 e op. 30, o Souvenir d`un lieu cher, para violino e piano, op. 42, o Trio com piano em Lá menor, op. 50, e o Sexteto para cordas op. 70, Souvenir de Florence. O compositor escreveu ainda andamentos isolados, destinados a obras de câmara de maior escala, como é o caso do Andamento de quarteto para cordas em Si bemol maior, concluído em novembro de 1865.

O Quarteto para Cordas n.º 3, em Mi bemol menor, foi iniciado em Paris, em janeiro de 1876, e dedicado à memória do violinista checo Ferdinand Laub (1832-1875), intérprete dos dois anteriores quartetos. O compositor regressaria depois à Rússia, onde viria a concluir a obra. Tchaikovsky realizou, entretanto, uma revisão alargada da partitura, antes de a dar a conhecer no Conservatório de Moscovo, a 28 de março de 1876. A crítica projetou o Quarteto n.º 3 na esfera pública, como uma das obras mais marcantes da literatura de câmara russa.

Rui Cabral Lopes

 

Intervalo (15 min.)

 

Fanny Mendelssohn (1805 – 1847)
Quarteto para Cordas em Mi bemol maior
1. Adagio ma non troppo
2. Scherzo: Allegretto
3. Romanze
4. Allegro molto vivace

Composição: 1834
Duração: c. 20 min.

Irmã quatro anos mais velha do compositor Felix Mendelssohn, Fanny Mendelssohn (ou Hensel, depois do casamento com o pintor Wilhelm Hensel) é, a par com Clara Wieck/Schumann, uma das figuras femininas mais marcantes no domínio da composição erudita da primeira metade do século XIX. Fanny era particularmente dotada para a música e para as artes em geral, aprendendo com grande facilidade, tal como viria a suceder com o seu irmão mais novo. Foi pianista e começou a compor desde criança, no entanto mantendo-se sempre no domínio amador, como era normal acontecer a uma mulher naquela época. Pelo mesmo motivo, o reconhecimento publico da sua qualidade como compositora tardou em chegar. As suas composições, maioritariamente lieder ou peças para piano, eram, no entanto, regularmente tocadas no seio de encontros familiares e, neste contexto, Fanny exerceu assinalável influência no crescimento musical do seu irmão Felix. Na altura em que a música de Fanny começou a ser publicada, a sua vida aproximava-se do fim, tendo, tal como o seu irmão, morrido muito cedo.

O Quarteto em Mi bemol maior é o único conhecido da autoria de Fanny Mendelssohn, nele se evidenciando a influência de Beethoven, nomeadamente no tratamento instrumental, no trabalho harmónico e no episódio fugado central do segundo andamento. No entanto, para além da evidência de um perfeito domínio técnico, percebe-se a presença de “voz” diferente, por via de uma expressão lírica elegante e apaixonada.

Miguel Martins Ribeiro

 

Fazil Say (n. 1970)
Quarteto para Cordas op. 29, Divorce
1. Allegro maestoso
2. Andante
3. Presto

Composição: 2010
Estreia: Dortmund, 11 de março de 2010
Duração: c. 16 min.

Durante a composição deste quarteto para cordas permiti que a minha personalidade e as minhas vivências me guiassem, tentando relacionar experiências como o divórcio, a separação e o fracasso de um relacionamento na linguagem da música, com a ajuda das notas e dos ritmos. Tal como nas minhas outras composições, este quarteto é um trabalho que cuja origem se encontra na intuição, mais do que na descrição de um acontecimento histórico, de uma jornada ou de um lugar.

O início do primeiro andamento é algo selvagem, rápido e doloroso e com um ritmo irregular. Seguem-se secções intermitentes que são reminiscentes de um clube de jazz. A história viva é o presente que vivenciamos.

O segundo andamento, com uma atmosfera melancólica, é dominado por cores, o objeto da procura, a busca por um remédio e a infelicidade.

De forma contrastante, o andamento final destina-se a expressar os sentimentos de ódio, a argumentação e a disputas dentro da relação, os quais se transformaram num trauma profundo.

Fazil Say


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