Cuarteto Casals

Festival dos Quartetos de Cordas

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Em parceria com a Biennale de Quatuors a Cordes de la Philharmonie de Paris, pela terceira vez na programação da Gulbenkian Música este momento musical único junta seis notáveis quartetos de cordas da atualidade num intenso festival de música de câmara de dois dias. Na temporada 2021/22, os quartetos de cordas Casals, Tejo, Jerusalem, Borusan, Marmen e Danel interpretarão uma ampla mostra do repertório para esta formação instrumental, desde J. Haydn até obras contemporâneas, com destaque para a estreia absoluta de uma nova obra do compositor português Nuno Costa, encomendada pela Fundação Gulbenkian. Uma excelente oportunidade de introdução ao género e também o momento em que cada um poderá ouvir novas interpretações de obras marcantes do repertório de câmara ou descobrir peças menos conhecidas e de mais rara possibilidade de audição.


Programa

Cuarteto Casals
Vera Martínez Mehner Violino
Abel Tomàs Violino
Jonathan Brown Viola
Arnau Tomàs Violoncelo

Joseph Haydn (1732 – 1809)
Quarteto para Cordas em Sol menor, op. 20 n.º 3
1. Allegro con spirito
2. Menuetto: Allegretto
3. Poco adagio
4. Allegro molto

Composição: 1772
Duração: c. 26 min.

O conjunto de seis Quartetos para Cordas op. 20 (Hob.III.31-36), de Joseph Haydn, assinalam um momento alto no percurso criativo daquele que viria ser considerado como o “pai” do quarteto de cordas e como o grande estabilizador da linguagem musical do estilo clássico. Compostos no início dos anos 1770, ombreiam com as sinfonias que lhes são contemporâneas no testemunho da grande maturidade artística do seu autor nesta altura.

Com a série de seis Quartetos op. 9 (ca. 1770) Haydn alcançara já um estilo bem definido. Todos os Quarteto op. 9, assim como os op. 17 e praticamente metade dos op. 20 (não sendo o caso do n.º 6) e op. 33, situa o minueto antes do andamento lento, enquanto que o Presto final, normalmente em 6/8, emana já algo do que viria a ser a energia dinâmica de um scherzo beethoveniano. No entanto, nos Quartetos op. 20, compostos respectivamente em 1771 e 1772, Haydn conseguiu estabelecer uma união de todos os elementos estilísticos e uma perfeita adaptação da forma à expressividade do conteúdo musical.

O ano de 1772 é igualmente o ano da Sinfonia n.º 45, dita “do Adeus”, e foi considerado como o annus mirabilis de Haydn, fundando-se esta consideração também no surgimento dos Quartetos op. 20. Nesta série, os ritmos são mais variados que nos quartetos anteriores, os temas encontram-se mais ampliados, os desenvolvimentos exibem uma maior organicidade e todas as estruturas são tratadas com segurança e refinamento. Os quatro instrumentos tendem a individualizar-se, apresentando-se em condição igualitária, nomeadamente o violoncelo, instrumento ao qual Haydn começa a atribuir maiores responsabilidades, seja na condução da linha melódica, seja no assumir de funções como solista. Desta forma, as texturas encontram-se definitivamente despojadas de toda a dependência em relação a um baixo contínuo, assumindo o diálogo entre as várias vozes uma maior importância.

Miguel Martins Ribeiro

 

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Quarteto para Cordas n.º 16, em Fá maior, op. 135
1. Allegretto
2. Vivace
3. Lento assai, cantante e tranquillo
4. Grave, ma non troppo tratto – Allegro

Composição: 1826
Duração: c. 25 min.

O Quarteto para Cordas op. 135 foi o derradeiro quarteto composto por Beethoven, em outubro de 1826, cinco meses antes da sua morte. O editor berlinense Schlesinger publicou a obra postumamente, em setembro de 1827, com dedicatória a um membro da burguesia urbana, Johann Wolfmayer, a quem o músico já anteriormente tencionara dedicar o Quarteto n.º 14, op. 131.

À imagem de outras obras tardias, o Quarteto op. 135 possui uma estrutura formal invulgar: dois andamentos rápidos, Allegretto e Vivace, e um andamento lento, Lento assai, cantante e tranquillo, a que se segue um Grave, ma non troppo tratto, cuja natureza se afigura eclética e enigmática. Neste último andamento, Beethoven fez acompanhar os primeiros compassos por uma frase manuscrita, de cunho interrogativo: “Muss es sein?” (“Deve isto ser?”). Ao motivo musical que representa esta questão Beethoven responde com dois motivos incisivos: “Es muss sein!” (“Isto deve ser!”). Os motivos deste motto constituem o enunciado do andamento em forma de sonata que se segue e que se caracteriza por constantes ambiguidades e arrojos de escrita.

Rui Cabral Lopes

Intervalo (15 min.)

 

Dmitri Chostakovitch (1906 – 1975)
Quarteto para Cordas n.º 9, em Mi bemol maior, op. 117
1. Moderato con moto –
2. Adagio –
3. Allegretto –
4. Adagio –
5. Allegro

Composição: 1964
Estreia: Moscovo, 20 de novembro de 1964
Duração: c. 25 min.

O Quarteto para Cordas n.º 9, op.117, é o terceiro quartetos “pessoais” de Chostakovitch. Dedicado à sua terceira esposa, Irina, foi composto em 1964, pouco antes do n.º 10, marcando com este a transição para a sua última fase estilística. Trata-se, de facto, de uma obra em que abundam passagens que antecipam os últimos quartetos, tais como os momentos de silêncio, as notas longas, os sons ásperos e os acordes penetrantes. Mas este quarteto também relembra os quartetos de escala quase sinfónica dos anos do pós-guerra, sendo evidente uma disposição bastante otimista. Refira-se ainda a unificação produzida por uma teia complexa de relações temáticas, na qual se destaca um motivo de meio-tom descendente.

O Moderato con moto abre de forma algo enigmática, continuando num estado de espírito descontraído, num nível dinâmico sempre muito contido. O Adagio inicia-se com um pungente e breve solo de viola e mantém-se sempre numa textura homofónica. O Allegretto é um scherzo esvoaçante, inicialmente em surdina, caracterizado por um humor quase perverso, e que inclui citações do motivo de fanfarra da abertura de Guillaume Tell de Rossini. O Adagio seguinte evoca um mundo estranho e melancólico, com um recitativo expressivo que é interrompido de forma surpreendente por efeitos violentos em pizzicato. O Allegro final apresenta um estado de espírito renovado, de uma vivacidade muito rara nas últimas obras do compositor.

Luis M. Santos


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