• Inglaterra, 1751
  • Mármore branco
  • Inv. 2216
  • Escultura

Baco

Michael Rysbrack

Inglaterra, 1751

O Baco é uma escultura de grande qualidade estética que, apesar da sua dimensão inferior ao natural, traduz expressiva monumentalidade.

Ao longo de quase cinquenta anos em Inglaterra, Micheal Rysbrack teve larguíssima produção, trabalhando para diversos mecenas, entre os quais se destaca o banqueiro Henry Hoare II. O Baco foi uma entre as muitas encomendas que o banqueiro lhe fez para a sua villa de Stourhead (no condado de Wiltshire), concluída em 1722, atualmente propriedade do National Trust. Destinava-se a decorar a sala de jantar da casa senhorial, tendo como pendant (um hábito muito ao gosto do século XVIII) um fauno a tocar flauta, de origem italiana, cópia de uma estatueta antiga.

De origem holandesa, Michael Rysbrack, vindo de Antuérpia e estabelecido em Londres desde 1720, deu um contributo importante para a renovação da escultura inglesa na segunda metade do século XVIII. Inspirado na escultura da Antiguidade Clássica, Rysbrack foi um escultor clássico por excelência, depurando o tardo-barroco em que se formara na sua cidade natal. 

 

1751 - Encomendado a Michael Rysbrack por Henry Hoare II (1705-85) para a casa de jantar da sua propriedade  de Stourhead.

1780 – Ainda em vida, Henry Hoare II, falecidos todos os seus filhos, doou propriedade e recheio ao seu neto favorito, Sir Richard Colt Hoare, 2º Baronete (1758-1838), que passou a viver em Stourhead desde 1783.

1838 – Não tendo herdeiros diretos, Sir Richard deixou a propriedade de Stourhead a seu meio-irmão e o Baco a Henry du Pré Lebouchere (1798-1869), Lord Taunton (1859), que vivia então em Park House, perto de Bridgwater. Lord Taunton, casado com uma Baring (família de banqueiros), era grande colecionador de obras de arte.

1869 – Não tendo filho varão, por morte de Lord Taunton os bens passaram  para a filha Mary Dorothy, casada (1872) com Edward James Stanley, descendente dos Condes de Derby. 

1883 – O Baco é vendido no Leilão da Casa Christie, Manson and Woods (1 e 2 de Junho), integrado na Venda da Herança de Stourhead, à data na posse de Sir Henry Ainslie Hoare, 5º Baronete (1824-94). O Baco foi considerado a peça mais importante do leilão, com honras de capa de catálogo. Foi adquirido por C.R. Denison.

1920 – o que restava da propriedade e recheio de Quantock Lodge, na posse de Edward Arthur Vesey Stanley, foi vendido em leilão da Casa Sotheby (16 de Julho). Calouste Gulbenkian adquiriu neste leilão, através de Duveen, quatro esculturas. O Baco de Rysbrack  constituiu o lote 29. 

 

A.115 cm; L. 36 cm; Prof. 31 cm

Walpole 1928
Horace Walpole – Visits to Country Seats. In Walpole Society, 16th volume, 1927-1928. Oxford: University Press, 1928. 

Webb 1950
M. I. Webb - Sculpture by Rysbrack in Stourhead. In The Burlington Magazine, n.º 572, vol. XCII, November 1950, p. 307-315.

Webb 1954
M.I. Webb – Michael Rysbrack Sculptor. London: Country Life Limited, 1954.

Whinney 1964
Margaret Whinney - Sculpture in Britain 1530 to 1830. Harmondsworth: Penguin Books, 1964.

Woodbridge 1965
Kenneth Woodbridge – Henry Hoare’s Paradise, in The Art Bulletin, March 1965, vol. XLVII, nº 1, p. 83-116.

Eustace 1982
Katharine Eustace – Michael Rysbrack Sculptor, 1694-1770. Bristol: City of Bristol Museum and Art Gallery, 1982, nº 87, p. 180.
 
Figueiredo 1999
Maria Rosa Figueiredo – Catálogo de Escultura Europeia. Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 1999, vol. II, p. 80-83.

Figueiredo 2006
Maria Rosa Figueiredo – Uma Obra em Foco: Baco, Michael Rysbrack (1693-1770), (brochura da exposição). Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 2006.

Atualização em 05 Julho 2018