Hagop Kevorkian

Uma coleção com histórias: em 2020, partilhámos semanalmente uma história sobre a coleção de Calouste Gulbenkian. O mês de novembro foi dedicado a negociantes de arte.
Panejamento de veludo (pormenor), séculos XVI-XVII. Veludo de seda e fio de prata. Museu Calouste Gulbenkian

Oriundo de uma família arménia, Hagop Kevorkian (1872-1962) nasceu no Império Otomano, mais precisamente em Kayseri, atualmente na Turquia. Kevorkian formou-se no Robert College de Istambul antes de se mudar para a Grã-Bretanha, onde se encontrou com Calouste Gulbenkian, antigo colega de escola, com quem iniciou um negócio de importação de obras de arte. Em 1898, porém, os dois terminaram a parceria, por razões desconhecidas.

No início do século XX, Hagop estabeleceu um negócio de venda de obras em Londres, em Bishopsgate, perto da empresa da família Gulbenkian, que se ocupava da importação de tapetes. Posteriormente, Carnig Kevorkian, um dos seus irmãos, instalou-se em Paris, expandindo as oportunidades comerciais da família. Na mesma altura, Hagop começou a visitar os Estados Unidos, mais precisamente Nova Iorque, onde se viria a instalar definitivamente na década de 1920, fundando aí uma terceira loja.

Hagop ficou conhecido também como arqueólogo, tendo gerido expedições no Irão, que lhe permitiram reunir uma importante coleção pessoal. Os irmãos Kevorkian falavam várias línguas e adquiriam inúmeras obras nas suas múltiplas viagens pelo Médio Oriente, muitas das quais – como têxteis otomanos ou cerâmicas – foram vendidas a Calouste Gulbenkian e a outros conhecidos colecionadores e museus. Hagop e Calouste mantiveram contacto até à década de 1950.

Kevorkian organizou várias exposições de cerâmica em Londres e, posteriormente, em Nova Iorque, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento do interesse dos Estados Unidos por artefactos ditos orientais. Em 1929, Kevorkian comprou um álbum mogol de caligrafia e pintura, que ficou conhecido como o «Álbum Kevorkian» e que se encontra atualmente disperso entre as coleções do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque e da Freer Gallery de Washington.

 

Tigela, século XIV. Cerâmica. Museu Calouste Gulbenkian
Taça, final do século XII ou início do século XIII. Cerâmica «minai». Museu Calouste Gulbenkian

 

Kevorkian ficou também conhecido pelas suas doações. No Brooklyn Museum de Nova Iorque foi criada uma galeria que enverga o nome do colecionador e negociante de arte, onde estão em exposição vários baixos-relevos assírios adquiridos com fundos cedidos por Kevorkian. Em 1961, a Fundação Kevorkian criou a Kevorkian Chair of Iranian Studies na Universidade de Columbia e em 1966 a Universidade de Nova Iorque (NYU) abriu o Hagop Kevorkian Center for Near Eastern Studies, que fomenta o estudo do Médio Oriente e da sua história e cultura.

Hagop doou ainda objetos ao Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade de Pensilvânia e estabeleceu o Kevorkian Fund, que permitiu que se realizassem escavações e se estabelecessem programas de investigação no Museu.

Em 2019, a Fundação Calouste Gulbenkian foi palco da exposição O Gosto pela Arte Islâmica. 1869-1939. Um dos núcleos desta mostra focou-se no papel dos vários negociantes de arte arménios, incluindo Kevorkian, na disseminação da arte do Médio Oriente. Foram apresentadas obras adquiridas por Gulbenkian a Kevorkian, bem como fragmentos do «Álbum Kevorkian».


Uma Coleção com Histórias

Em 2020, partilhámos semanalmente uma história sobre a coleção de Calouste Gulbenkian. Os artigos desta rubrica referem-se à coleção do Museu Calouste Gulbenkian como Coleção do Fundador.

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Atualização em 06 maio 2022

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