António Ole. Luanda, Los Angeles, Lisboa

Esta exposição retrospetiva da obra de António Ole (Luanda, 1951) estabelece uma geografia vivencial, percorrendo ou criando pontes entre as cidades determinantes para o seu percurso artístico. Com formação em Cinema no American Film Institute de Los Angeles (1975) e em Cultura Afro-Americana na Universidade da Califórnia (1981-1985), o artista realizou a sua primeira exposição internacional no Museum of African Art de Los Angeles iniciando uma reflexão sobre a escravatura e o colonialismo.

Figura tutelar de toda uma geração de artistas contemporâneos angolanos, Ole afirmou-se internacionalmente através de uma obra que vai da escultura à instalação, da pintura e colagem ao desenho, da fotografia ao filme, em diálogo permanente com a cidade, e antes de mais com a cidade de Luanda, com a sua arquitetura e os seus habitantes. A hibridez e a junção de materiais diversos, as temáticas da ilha e do mar, bem como uma forte consciência social, são as linhas determinantes desta produção artística que teve o seu início em 1967.

 

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Uma viagem com António Ole

Coleção Moderna, agosto de 2016

 

À Conversa com António Ole

(Excertos da entrevista publicada no catálogo da exposição)
Por: Isabel Carlos

Isabel Carlos (IC): Talvez começarmos pelo título da exposição. São três cidades, que são a tua geografia de algum modo.
António Ole (AO): Sim, exato. Este triângulo: Luanda, Los Angeles, Lisboa.

 

IC: E a sensação que eu tenho, e me dirás se estou correta ou não, é que até à tua ida para Los Angeles, tu estavas sobretudo a olhar e a dialogar com a arte europeia, a Pop Art, o Surrealismo. E em Los Angeles, parece-me, olhando cronologicamente para as tuas obras, de repente encontras a tua africanidade.
AO: É verdade. Isso é correto!

 

IC: E porquê Los Angeles?
AO: Eu comecei muito cedo, por razões familiares mas também por causa do meu professor de desenho no liceu, o Eduardo Zinc, um apaixonado pelo Cubismo. Com dezasseis anos estava muito influenciado pelo Picasso e tentava repetir os cubistas. Quando chegou o 25 de Abril de 1974, tive a perceção de que deveria tentar uma paragem em relação à pintura e àquilo que fazia até então. Embora tenha feito uma infinidade de capas e ilustrações para livros de autores angolanos.

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