Viver tempos incertos, imaginar tempos certos

Qual o papel do museu?

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Ciclo de conversas – Quantos museus há num museu?

Vivemos um presente incerto, cheio de desconhecido, mas que ao mesmo tempo traz consigo uma oportunidade de desaceleração e abrandamento. Pode este tempo ser um impulsionador (acelerador) de transformação, dando-nos uma ocasião para pensarmos um futuro certo? Quais são os tempos certos? E como podem estas incertezas e estas novas possibilidades, algumas ainda por imaginar, ser pensadas e vividas no contexto das práticas artísticas e dos Museus? Como pode este presente incerto mudar o museu e como podem as próprias práticas artísticas ser transformadas ou ser agentes de transformação do museu?

Este é, talvez, o tempo certo para pensarmos que modelos pode o Museu propor para a sua relação com o público e, em particular, para a sua relação com os artistas e as suas obras. Que mudanças poderão acontecer neste modelo de relação? Que expetativas e ensejos têm os artistas no que diz respeito ao Museu? Como podemos imaginar, juntos, um museu para tempos certos?

À conversa com Rita Fabiana, Ângela Ferreira, Hugo Canoilas e Horácio Frutuoso.


TRANSMISSÃO 


ORADORES

Ângela Ferreira nasceu em 1958 em Maputo, Moçambique. Concluiu os estudos de Artes Plásticas na África do Sul, obtendo o grau de mestre na Michaelis School of Fine Art, University of Cape Town. Atualmente vive e trabalha em Lisboa, leciona na Faculdade de Belas-Artes, onde obteve o doutoramento em 2016. O trabalho de Ângela Ferreira desenvolve-se em torno do impacto do colonialismo e do pós-colonialismo na sociedade contemporânea. Estas investigações são guiadas por uma pesquisa profunda e pelo filtrar de ideias que conduzem a formas concisas, depuradas e evocativas. Representou Portugal na 52.ª Bienal de Veneza em 2007.

Horácio Frutuoso (1991) vive e trabalha entre Lisboa e o Porto e tem formação em artes plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto.A sua prática artística cruza a pintura com poesia gráfica, recorrendo por vezes a diferentes meios plásticos. Desenvolve e participa com frequência em projetos editoriais ou gráficos, mantendo uma colaboração regular com o Teatro Praga desde 2016. Tem exposto o seu trabalho com regularidade em diferentes exposições e projetos curatoriais, destacando as seguintes exposições: Clube da Poesia, exposição individual com curadoria de Ricardo Nicolau, Museu de Serralves, Porto (2019); Ponto de Fuga, Coleção António Cachola, com curadoria de João Laia, Cordoaria Nacional Lisboa (2019); Biblioteca, BoCa – Biennial of Contemporary Arts, Lisboa (2019); Haus Wittgenstein, curadoria de Nuno Crespo, MAAT, Lisboa (2018); 1000 IMAGENS; A word is worth a thousand pictures, curadoria de Alexandre Melo, Cristina Guerra Contemporay Art Gallery, Lisboa (2018); H, exposição individual na Galeria Balcony, Lisboa (2018); O que Eu sou, exposição coletiva da coleção da Fundação EDP, MAAT (2017); White Horse, Bregas, Lisboa (2016).

Hugo Canoilas, vencedor do Kapsch Art Prize 2020, na Áustria, tem vindo a expor regularmente com destaque para Frankfurter Kunstverein, De Appel, Fundação Calouste Gulbenkian, Bienal de São Paulo, Kunsthalle Wien, Museu do Chiado. Em novembro deste ano expõe individualmente no mumok em Viena. Foi responsável pela edição «OEI#80-81: The zero alternative: Ernesto de Sousa and some other aesthetic operators in Portuguese art and poetry from the 1960s onwards», coeditada com Cecilia Groenberg, Jonas (M) Magnusson e Tobi Maier. Criou e desenvolve o projeto coletivo A Gruta na cave da Galeria Quadrado Azul em Lisboa e juntamente com Nicola Pecoraro e Christoph Meier dirige o espaço Guimarães em Viena.

Rita Fabiana é coordenadora de programação do Museu Calouste Gulbenkian desde março de 2016. Tem sido responsável, desde 2006, pela curadoria de exposições de artistas contemporâneos, como Leonor Antunes e Gabriela Albergaria, Ricardo Jacinto, Vítor Pomar, André Guedes, a dupla A Kills B, Tamás Kaszás, Emily Wardill, Ana Jotta e Ricardo Valentim, Yto Barrada, Irineu Destourelles e Manon de Boer (esta última com Susana Gomes da Silva), entre outros. Foi curadora de uma exposição antológica de desenho de Jorge Martins e das primeiras retrospetivas dedicadas aos artistas José Escada e Túlia Saldanha (esta com Liliana Coutinho) e cocuradora da retrospetiva dedicada a António Ole (com Isabel Carlos). Prepara para 2022, um projeto com Zineb Sedira. Tem textos em catálogos e artigos em revistas, como a Contemporânea ou a revista OEI # 80-81. Lecionou no seminário de Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra (2014-2017) e participou enquanto avaliadora externa no MFA da Malmö Art Academy (2018). Mais recentemente, participou na mesa-redonda «Colaboração nas Artes em Portugal», no âmbito da conferência «Campos de Colaboração nas Práticas Artísticas Contemporâneas» (ICNOVA, IHA, IFILNOVA e Culturgest, 2019). Em colaboração com as associações feministas afrodescendentes e da diáspora africana Djass, Femafro, Inmune e Padema, organizou o encontro internacional «Where I (we) Stand» para debater a descolonização da história, dos corpos e das narrativas, mas igualmente da própria estrutura do museu enquanto lugar de representação e produtor de conhecimento.


Dia Internacional dos Museus

Esta é uma das atividades para celebrar o Dia Internacional dos Museus, que este ano conta com uma programação inteiramente online. Conversas, uma exposição virtual e uma visita guiada são algumas das nossas propostas para este dia.

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