Encontro com a Música

Epopeia pop

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Ainda antes de se tornar num dos símbolos mais familiares – senão mesmo um lugar-comum – dos sixties, a juventude constituiu um desafio contemporâneo para a leitura dos tempos. Enquanto sujeito histórico da transformação, agente de rebelião política e portadora de uma outra ideia de futuro, a juventude trocou as voltas às interpretações tradicionais do mundo, contribuindo para o aparecimento de novas formas de análise social. Em Portugal, isso foi muito visível na crítica da música popular – talvez o aspeto mais reconhecível das culturas juvenis –, no recurso aos conceitos do estruturalismo e do marxismo para procurar explicar o sentido e o papel do rocke do pop. Ou seja, aquilo que, nos anos sessenta, pareceu mais festivo e provocatório foi em certo sentido também o que espoletou os esforços mais sérios e profundos para perceber os tempos. Neste contexto, o rock-pop português na passagem da década de 60 para a década de 70, com conjuntos como o Quarteto 1111 e a Filarmónica Fraude, é um objeto cultural profundamente empenhado na história, tanto pela proposta de mudança radical da paisagem sonora, como pelo questionamento subversivo da história nacional.

Esta conferência faz parte de um ciclo de encontros realizado no âmbito da exposição Pós-Pop. Fora do lugar-comum e Jardim de Verão.

Interveniente: Luís Trindade

Luís Trindade ensina história e cultura portuguesa em Birkbeck, Universidade de Londres. O seu livro mais recente, Narrativesin Motion: Journalism and Modernist Events in 1920s Portugal, foi publicado pela Berghahn Books em 2016. Dirigiu o volume The Making of Modern Portugal (Cambridge Scholars Publishing, 2013), tendo publicado igualmente no âmbito das histórias do nacionalismo e do marxismo, do cinema português, do 25 de Abril e da cultura de massas em Portugal no século XX. Desde 2015, desenvolve um projeto financiado pela FCT sobre a cultura audiovisual em Portugal de 1950 a 1990.