Costa Pinheiro. La Fenêtre de ma Tête. Auto-retrospectiva, 1982 – 89

Inventário da obra de Costa Pinheiro e autorretrospetiva orientada pelo próprio artista, esta exposição foi concebida segundo critérios de museografia originais. A iniciativa partiu da Fundação Calouste Gulbenkian, que, simultaneamente, organizou e apresentou um outro certame de obras do mesmo artista no Centro de Arte Moderna.
Conceived according to original museographic criteria, this retrospective and inventory of the work of Costa Pinheiro was directed by the artist himself. The exhibition was initiated by the Calouste Gulbenkian Foundation, which simultaneously staged a separate exhibition with works by the same artist at its Gulbenkian Modern Art Centre.

A iniciativa da exposição «La fenêtre de ma tête» partiu da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), que, simultaneamente, organizou uma outra mostra dedicada à série de retratos Os Reis, da autoria do mesmo artista, no Centro de Arte Moderna (CAM).

Organizada como inventário da obra de Costa Pinheiro e como autorretrospetiva orientada pelo próprio artista (ao título da mostra Costa Pinheiro, acrescentou a menção «autorretrospectiva» e as datas 1982-89), esta exposição foi concebida segundo critérios de museografia originais, evidenciados pela grande porta-silhueta da cabeça de Costa Pinheiro, por onde era feito o acesso à exposição e que, observada do interior, assumia a luminosidade de uma janela. Esta porta-silhueta (viria a comentar o artista numa outra entrevista conduzida por Jorge Fallorca) permitia duas leituras: além de simbolizar a janela por onde o pintor olhava o mundo, significava também a janela pela qual era permitido ao visitante olhar e compreender o universo do artista (Fallorca, Diário de Lisboa, 21 dez. 1989).

O percurso expositivo, organizado em três núcleos («Retratos-janelas», «Brinquedos: A City-mobil» e «Pintura em curso»), era marcado pela apresentação de uma sequência de pinturas até então inéditas, que se prolongava por toda a galeria, interrompida pelos objetos-projetos da Citymobil de 1968-71, e retomada, no final, com um conjunto de quadros mais recentes (série Trípticos de Dom Sebastião), à data ainda em curso.

Segundo José Sommer Ribeiro, esta mostra foi marcada pelo «desfilar de obras: umas eivadas de grande ironia, outras de imensa imaginação, outras ainda extremamente poéticas, um verdadeiro retrato de Costa Pinheiro e da sua pintura» (Costa Pinheiro. La fenêtre de ma tête…, 1989).

Numa entrevista dada a Jorge Letria, Costa Pinheiro comentaria o significado das obras da série La fenêtre de ma tête, salientando que esta pretendia «ser uma encenação-pintura de tudo o que a minha imaginação de pintor criou e aprendeu até hoje» (Letria, JL. Jornal de Letras, Artes e Ideias, 28 nov. 1989, pp. 8-9).

Sobre os trabalhos apresentados nesta exposição, o crítico de arte Alexandre Pomar viria a comentar que «o pintor faz da visita repetida ao seu atelier e à sua imaginação, à obra anterior, ao espaço físico e aos instrumentos técnicos do trabalho de pintor, aos temas que o ocuparam e à iconografia que foi inventando, e coleccionando, ou seja, do seu próprio olhar retrospectivo, a estratégia da sua actividade mais recente» (Pomar, Expresso, 8 dez. 1989).

Joana Brito, 2016

The initiative for the La fenêtre de ma tête exhibition came from the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG), which organised another event at the same time dedicated to the Os Reis [The Kings] series of portraits by the same artist at the Modern Art Centre (CAM).

Organised as an inventory of Costa Pinheiro’s work and a self-retrospective guided by the artist himself (Costa Pinheiro added “self-retrospective” and the dates 1982-89 to the exhibition title), the exhibition was planned according to original museography criteria, demonstrated by the great door-silhouette of Costa Pinheiro’s head used to enter the show and which, seen from the inside, had the brightness of a window. This door-silhouette (the artist commented in another interview conducted by Jorge Fallorca) had two meanings, not simply representing a window through which the painter looked onto the world but also a window through which visitors were allowed to see and understand the artist’s universe (Fallorca, Diário de Lisboa, 21 Dec 1989).

The journey through the exhibition was organised into three sections: “Portrait-windows”, “Toys – the Citymobil” and “Painting in progress”. It displayed a sequence of previously unseen paintings and stretched throughout the gallery, moving on to the object-projects of the 1968-71 Citymobil, and ending with a set of more recent pictures: the Trípticos de Dom Sebastião [the King Sebastian Triptychs], which were works in progress at the time.  

According to José Sommer Ribeiro, the exhibition was marked by a “parade of works, some filled with great irony and others with enormous imagination, and yet others that are extremely poetic, a true portrait of Costa Pinheiro and his painting” (Costa Pinheiro. La fenêtre de ma tête…, 1989).

In an interview with Jorge Letria, Costa Pinheiro commented on the meaning of the works in the La fenêtre de ma tête series, underlining that: “It aims to be a staging-painting of all that my painter’s imagination has created and learned up to now” (Letria, Jornal de Letras, Artes e Ideias, 28 Nov 1989, pp. 8-9).

The art critic Alexandre Pomar said, regarding the works presented in the exhibition, that “the painter makes the repeated visits to his studio and his imagination – to previous work, to the physical space and the painter’s technical instruments, to the themes that have occupied him and the iconography that he has been inventing and collecting – his own retrospective gaze, in other words, into the strategy of his most recent work” (Pomar, Expresso, 8 Dec 1989).


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

A Armada do Rei Dom Sebastião

António Costa Pinheiro (1932- 2015)

A Armada do Rei Dom Sebastião, 1988/89 / Inv. 92P211

A Armada do Rei Dom Sebastião

António Costa Pinheiro (1932- 2015)

A Armada do Rei Dom Sebastião, 1988/89 / Inv. 92P211


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

José de Azeredo Perdigão (à esq.), José Sommer Ribeiro (ao centro) e António Costa Pinheiro (à dir.)
António Costa Pinheiro (à esq.), José de Azeredo Perdigão (ao centro) e José Blanco (à dir.)
António Costa Pinheiro (à esq.), José de Azeredo Perdigão (ao centro) e José Blanco (à dir.)

Multimédia


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02246

11 provas, cor: inauguração (FCG, Lisboa) 1989

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00194

Pasta com documentação referente à produção das exposições «Henrique Pousão, 1884-1984. No Primeiro Centenário da sua Morte» e «Pinturas da Escola do Porto, Séculos XIX e XX». Contém documentação relativa à edição dos catálogos, convites, cartazes e outros materiais promocionais das exposições, assim como documentação relativa à extensão da exposição «Os Reis» à Fundação de Serralves, no Porto e documentação relativa a danos provocados e respetivos restauros em obras do artista, assim como os relatórios de restauro realizados no Instituto Rainha D. Leonor, pela conservadora-restauradora Carmen Olazabal de Almada. 1989 – 1991


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