Eduardo Luiz

Comemorações de Homenagem a Calouste Gulbenkian 1990

Exposição retrospetiva do pintor Eduardo Luiz (1932-1988), integrada nas comemorações de homenagem a Calouste Sarkis Gulbenkian. Inaugurou juntamente com as exposições «Transformações» e «António Areal. Primeira Retrospectiva», tendo contado com o apoio de Brigitte Salmon, viúva do artista.
Retrospective exhibition on painter Eduardo Luíz (1932-1988) held posthumously as an homage to the artist and arranged with the help of his widow. The show formed part of the events commemorating and paying homage to Calouste Sarkis Gulbenkian, inaugurated simultaneously with the exhibitions “Transformations” and “António Areal. First Retrospective”.

A exposição «Eduardo Luiz» inaugurou a 20 de julho de 1990 e esteve patente no piso 0 da Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) até 2 de setembro, com o intuito de dar a conhecer a obra de um artista pouco conhecido pelo público. A inauguração da exposição foi integrada no programa das celebrações de homenagem a Calouste Sarkis Gulbenkian, que contemplou ainda as inaugurações das exposições «António Areal. Primeira Retrospectiva», no Centro de Arte Moderna (CAM), e «Transformações», no CAM, na Sede da FCG e nos jardins, além da realização de uma performance de Roman Signer (1938).

Segundo José Sommer Ribeiro, a exposição foi realizada «no âmbito da política que tem vindo a ser seguida pelo Centro de Arte Moderna de organizar exposições antológicas de artistas portugueses que têm ou tiveram um papel importante no panorama artístico nacional» (Eduardo Luiz, 1990).

O conjunto exposto mostrou uma obra vasta e diversa, desde os trabalhos realizados aquando da partida do artista para Paris em 1958, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, até às suas últimas pinturas, em 1988. A museografia da exposição primou por um espaço sem grandes obstáculos visuais, permitindo a visão geral de todas as obras expostas e o confronto entre elas. Os trabalhos foram organizados por afinidade estética e temática, nem sempre respeitando a ordem cronológica do percurso artístico de Eduardo Luiz (1932-1988). Terá sido esta característica que levou José Luís Porfírio a apontar, no artigo que escreve para o Expresso, «duas dificuldades» à exposição: «a ausência de numeração em todos os trabalhos expostos e, em muitos casos, a ausência de data, sobretudo no que se refere aos últimos anos do pintor» (Porfírio, Expresso, 28 jul. 1990).

Influenciado por Magritte e Dalí, o trabalho de Eduardo Luiz foi muitas vezes associado ao Surrealismo, apesar de, como refere Sommer Ribeiro na introdução do catálogo, o seu percurso artístico ser tão pessoal que «nunca permitiu classificá-lo de surrealista ou neo-figurativo» (Eduardo Luiz, 1990). No entanto, em muitas das suas pinturas são criadas cenas lúdicas, onde se confrontam as noções de verdadeiro e de falso, aspeto «crucial para compreender a minimização da expressividade, do símbolo e do onírico, num artista que estava constantemente atento ao que se passava nele, nos momentos de intelectualidade consciente e nos sonhos» (Gonçalves, JL. Jornal de Letras, Artes e Ideias, 14 ago. 1990).

A Fundação contou com a ajuda de Brigitte Salmon, viúva do artista, que, a partir de Paris, apoiou a produção da exposição na localização de obras e no fornecimento de material para o catálogo. Brigitte Salmon foi ainda responsável pelo empréstimo de um dos maiores núcleos de obras de Eduardo Luiz, cedendo 21 trabalhos para a exposição.

Com larga cobertura pela imprensa nacional, a mostra foi por vezes divulgada em conjunto com a exposição de António Areal, inaugurada no mesmo dia, como sucedeu no artigo «António Areal e Eduardo Luís: Arte em caixa alta», onde o jornalista revela o seu fascínio pelas duas exposições: «O jornalista – repórter e não crítico – saiu da Fundação Gulbenkian, depois de ver as obras de Areal e Eduardo Luiz, como se tivesse levado um banho astral. Viajou por mundos secretos onde se esconde a intimidade de todos nós; ficou fascinado com as propostas dadas ao olhar, com revelações e encontros quase de primeiro grau.» (E. G. C., Tempo, 15 ago. 1990)

No Expresso, José Luís Porfírio descreve ainda o percurso expositivo como uma «organização que se sente hesitante entre o cronológico e o temático»: «os primeiros trabalhos», «as ardósias», «as memórias de Fontainebleau», «as naturezas vivas de hortaliças e frutas várias», «os véus desocultantes», «os espelhos», os retratos «arcimboldianos», «as longas mulheres "maneiristas"», traçando depois uma outra «travessia possível», a dos «objetos múltiplos e quadros únicos», que inventaria a fim de evidenciar as suas múltiplas leituras e possibilidades combinatórias (Porfírio, Expresso, 28 jul. 1990).

Em carta dirigida a Brigitte Salmon, a conservadora Maria José Moniz Pereira menciona o êxito da exposição, aludindo ao grande número de visitantes e à receção crítica positiva.

Posteriormente, foi organizada em Paris, no Centre Culturel Portugais, a apresentação de uma seleção de 45 obras das 171 apresentadas em Lisboa. A inauguração desta mostra, que contou com a edição de um catálogo em francês, ocorreu no dia 25 de agosto de 1990.

Carolina Gouveia Matias, 2018


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

La Boucherie

Eduardo Luiz (1932-1988)

La Boucherie, 1980 / Inv. 81P543

La Chute du Choux Rouge

Eduardo Luiz (1932-1988)

La Chute du Choux Rouge, 1971 / Inv. 83P544

L'Ardoise à L'Artichaud

Eduardo Luiz (1932-1988)

L'Ardoise à L'Artichaud, 1965 / Inv. 67P292


Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Fotografias em álbum da inauguração da exposição

Multimédia


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Biblioteca de Arte Gulbenkian, Lisboa / Dossiê BA/FCG

Coleção de dossiês com recortes de imprensa de eventos realizados nas décadas de 80 e 90 do século XX, organizados de forma temática e cronológica. 1984 – 1997

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00190

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite, correspondência entre a FCG e os emprestadores, lista de obras e valores de seguro. 1988 – 1991

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00191

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência entre a FCG e os emprestadores, correspondência interna, valores de seguro, recortes de imprensa e material para o catálogo. 1988 – 1991

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00439

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém orçamentos e correspondência interna e externa. 1990 – 1991

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM-S005/01/01-P0095-D02578

Coleção fotográfica, cor: aspetos (FCG, Lisboa) 1990

Arquivos Gulbenkian (Centre Culturel Portugais de Paris), Lisboa / PRS 04853

Álbum com coleção fotográfica, p.b.: inauguração (FCG-CCP, Paris) 1990


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