Transformações
1990
Iniciativa «Vídeo Suíço Contemporâneo»
A exposição «Transformações» inaugurou a 20 de julho de 1990, integrada no programa das celebrações de homenagem ao fundador Calouste Sarkis Gulbenkian, que contemplou igualmente as inaugurações das exposições «António Areal. Primeira Retrospectiva», no Centro de Arte Moderna, e «Eduardo Luiz», no piso 01 da Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian.
«Transformações», que esteve patente ao público entre 21 de julho e 9 de setembro de 1990, foi comissariada por Victor Durschei, da Pro Helvetia, fundação suíça para a cultura, que organizou a mostra em parceria com o Centro de Arte Moderna (CAM) e o Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (ACARTE), sob a coordenação de José Sommer Ribeiro e Maria do Céu Baptista.
A exposição abrangeu vários espaços da Fundação Calouste Gulbenkian: a Sala de Exposições Temporárias do Centro de Arte Moderna (CAM), o piso 01 da Galeria de Exposições Temporárias da Sede e o Jardim. Fora da Fundação, foi apresentada uma escultura em laser que ligou as torres do Ministério da Defesa e do Ministério das Finanças, na Praça do Comércio.
Segundo o comissário, os artistas representados nesta exposição não foram selecionados pela sua nacionalidade ou geração, mas pelo seu «espírito de trabalho» e por mostrarem que «através das suas diferentes preocupações eles tematizam o poder transformacional da arte» (Transformações, 1990, p. 8).
Outro ponto de união entre os sete artistas selecionados foi a exploração do quotidiano enquanto tema abordado nas artes plásticas, através da utilização de objetos trazidos do dia-a-dia, reinterpretados com o objetivo de criar uma nova realidade e uma nova consciencialização do mundo.
Esta exposição dirigia-se ao público em geral: «Os artistas, quer pelos meios a que recorrem, quer pelo modo de se exprimirem, utilizam todas as abordagens passíveis de nos sensibilizar espontaneamente. A sua dimensão lúdica torna o acesso mais fácil ao espectador, que pode assim deixar-se cativar pelo jogo da mudança.» (Transformações, 1990, p. 10)
No piso 01 da Galeria de Exposições Temporárias da Sede da FCG, estiveram expostos os trabalhos de Berset, Frentzel, Mumenthaler, Signer, Voita e Wolfensberger, ao passo que na Sala de Exposições Temporárias do CAM ficaram as obras de Lanz. Nos Jardins da Fundação, foram expostas algumas esculturas e instalações e, no dia da inauguração, foi realizada uma performance de Roman Signer.
Paralelamente à exposição, foi realizado um ciclo de videoarte suíça, cuja programação se dividiu em quatro momentos: um seminário de uma semana conduzido por Hanspeter Hammann; o visionamento da sua obra; a projeção de vídeos produzidos em meados dos anos 80, com seleção de António Pinto Ribeiro; o visionamento de trabalhos mais recentes, selecionados por Lysianne Léchot.
No âmbito da exposição, o ACARTE organizou ainda um concerto do quarteto Dedans Dehors, uma peça de teatro, um seminário sobre minorias linguísticas – em que participaram Isso Camartin, Bernard Cathomas e Casper Pult – e um ciclo de cinema suíço, apresentado na Cinemateca Portuguesa.
A exposição teve larga cobertura na imprensa escrita internacional, nomeadamente pelos jornais L'Hebdo, Journal de Genève, Appenzeller Zeitung, St. Galler Tagblatt, Feuilleton (do jornal Der Bund) e Basellandschaftliche Zeitung.
Na imprensa portuguesa, a receção da exposição não foi unânime. Se Margarida Botelho concluiu o artigo que publicou no jornal Diário de Notícias dizendo que «vale a pena ver o que se passa na Suíça» (Botelho, Diário de Notícias, 5 ago. 1990), Carlos Vidal, no pequeno artigo que escreveu para o Público, não se mostraria convencido pelos «pressupostos piedosos que, numa formulação menos elementar, conheceram respostas bem menos eficazes nas décadas de 60 e 70» (Vidal, Público, 3 jul. 1990).
Por sua vez, João Pinharanda aplaude a realização em Portugal de um projeto de âmbito internacional com um conjunto de obras de artistas estrangeiros, mas evidencia o facto de nesta exposição observarmos propostas de caráter eminentemente regional que se distanciam do idealmente desejado, que seria reunir «nomes que integrassem lugares cimeiros da arte mundial, que se tornassem casos paradigmáticos e não curiosos» (Pinharanda, Público, 20 jul. 1990).
Carolina Matias, 2018