Maria Manuela Madureira. Esculturas Pedra e Madeira. Comunicações Espaciais
1988
Exposição que deu a conhecer as mais recentes pesquisas e experiências escultóricas levadas a cabo por Maria Manuela Madureira (1930). Após um período fortemente ligado à cerâmica, a artista decide explorar outros materiais, elegendo então a madeira, os mármores e o granito. Foi com o apoio do Serviço de Belas-Artes que Maria Manuela Madureira deu início a essa nova fase do seu percurso, expondo, um ano depois, na Zona de Congressos e no chamado Jardim das Rosas ou Roseiral, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma seleção de trabalhos (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 1988, Arquivos Gulbenkian, SBA 4378).
Sob o título Comunicações Espaciais, foram apresentadas oito esculturas em pedra, algumas delas com elementos em ferro, e duas em madeira. Todas elas partilhavam o mesmo vocabulário. Pequenas formas geométricas – círculos, quadrados, linhas retas, cubos e cilindros – integravam os blocos rochosos, com maior ou menor grau de intervenção. Estas composições remetiam, de alguma forma, para elementos escultóricos ou arquitetónicos erigidos pelas civilizações não-ocidentais, como forma de culto e relação com o universo. Por outro lado, estão nelas implícitos (em títulos como Iceberg em Tharsis ou Ruínas em Aristarcos) os avanços nas explorações do universo, que a artista cruza com o imaginário da ficção científica, aspeto notório em peças como Porta de Um Universo, Estação Orbital ou Marco no Cosmos. Ao serem inseridas no jardim, em contacto com a natureza, a sua estranheza torna-se ainda mais evidente.
Mariana Roquette Teixeira, 2018