I Exposição Nacional de Gravura

Ciclo «Exposição Nacional de Gravura»

Exposição-concurso integrada nas comemorações do 20.º Aniversário da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, elaborada em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian. Com a exigência de que as gravuras fossem «provas boas de tirar», todos os concorrentes se comprometeram a dar assistência no processo de impressão, em caso de seleção.
First National Printmaking Exhibition, an initiative of Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (the Cooperative Society of Portuguese Printmakers), aimed at promoting and disseminating printmaking in Portugal. The show, which marked the society’s twentieth anniversary, travelled to Porto in order to promote artistic decentralisation and to make the printmakers’ work known in Portugal.

Exposição-concurso integrada nas comemorações do 20.º aniversário da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956-1976), promovida por esta instituição em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e a Secretaria de Estado da Cultura, contando para tal com o apoio do Serviço de Exposições e Museografia da FCG. Foi inaugurada no dia 24 de fevereiro de 1977, na Galeria de Exposições Temporárias da FCG.

Esta importante exposição, que acabaria por fazer um levantamento exaustivo das práticas artísticas nacionais no domínio da gravura, foi programada, inicialmente, para ser apresentada em 1976, ano em que se assinalavam as duas décadas de atividade da cooperativa Gravura. Da análise da correspondência trocada entre as diversas entidades envolvidas, fica subentendida a intenção de dar regularidade a este evento, abrindo-o mesmo à comunidade internacional através da organização de uma «Bienal Internacional de Gravura». Contudo, apesar de se ter chegado a redigir um documento prévio com vista à definição e organização dos trabalhos de uma mostra internacional com início em 1979, a iniciativa acabou por ser abandonada, dando-se apenas continuidade à realização da mostra nacional, que contaria com a edição de várias exposições subsequentes.

Nos pressupostos dos organizadores, a exposição destinava-se «a promover a divulgação e a expansão de uma forma de expressão artística que, em virtude da sua peculiar natureza, é susceptível de polarizar o interesse de grande parte quer dos artistas plásticos, quer dos sectores da população mais directamente interessados nesta actividade» (I Exposição Nacional de Gravura, 1977).

Com efeito, pretendia-se suscitar o interesse de um auditório mais vasto, dando-se destaque aos movimentos, às técnicas e aos seus protagonistas. Sendo uma exposição-concurso, aberta a gravadores portugueses e estrangeiros a trabalhar em Portugal, a iniciativa destinava-se a premiar as melhores propostas estéticas e técnicas, mediante a atribuição de dois prémios de exposição, «susceptíveis de veicular perspectivas de inovação», e de oito prémios de edição, «cujas características intrínsecas» merecessem ser divulgadas. Além destes prémios, o regulamento previa igualmente a atribuição de prémios de aquisição, cujos preços seriam fixados pelos seus autores, dispondo a cooperativa Gravura de direito de reserva em 20% sobre o preço de venda.

Como requisito, as gravuras deveriam ser «provas “Boas para tirar” ou outras», comprometendo-se os concorrentes, em caso de seleção, a dar assistência no processo de edição (Ibid.). O prémio de edição correspondia à subsidiação das despesas inerentes à tiragem máxima de 200 provas, ou de apenas 30 no caso das provas de artista.

Ficou regulamentado que cada artista poderia participar com um número máximo de cinco obras, compreendendo os mais variados processos de execução, com exceção de monotipias, e não excedendo as medidas de 100 × 70 centímetros.

Para a seleção, avaliação e premiação dos trabalhos foi criada uma comissão composta por representantes das três instituições organizadoras: pela Gravura, Cipriano Dourado; pela Secretaria de Estado da Cultura, Fernando Calhau; pela FCG, Fernando de Azevedo. Foram chamados a participar nestes trabalhos representantes da Sociedade Nacional de Belas-Artes (Eurico Gonçalves) e das Escolas Superiores de Belas-Artes do Porto e de Lisboa (Ângelo de Sousa e João Conceição Ferreira, respetivamente), contando ainda com a representação de Rocha de Sousa (1938) pela Secção Portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA).

Seriam selecionados 45 artistas gravadores, com obras, na sua maioria, criadas na última década, ou no ano em curso (1976). A mostra reuniu 131 gravuras, produzidas numa diversidade de técnicas: serigrafia, litografia, xilogravura, offset, água-forte, água-tinta, entre outras.

O júri atribuiu os prémios de exposição a Gil Teixeira Lopes e a Sérgio Pinhão, com igual número de votos. Os artistas mais votados na categoria de edição foram David de Almeida, Matilde Marçal, Nuno Barreto, Lourdes Leite, Emília Nadal, António Bouça, José de Guimarães e Marília Viegas.

A imprensa noticiaria a grande afluência de público à inauguração da exposição em Lisboa.

Com o intuito de promover a descentralização artística e de divulgar em Portugal o trabalho destes gravadores, a exposição foi igualmente realizada no Porto, tendo sido apresentada na Escola Superior de Belas-Artes daquela cidade.

Filipa Coimbra, 2016

Exhibition and competition included in the commemorations of the 20th Anniversary of Gravura Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956-1976), organised by the institution itself in cooperation with the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) and the Secretary of State for Culture with support from the FCG's Exhibitions and Museography Department. It opened at the FCG's Temporary Exhibitions Gallery on 24 February 1977.
This important exhibition, which performed an exhaustive survey of artistic practices in Portugal in the field of printmaking, was initially planned to open in 1976, marking two decades of Gravura's work. Correspondence sent between the different institutions involved in the exhibition implies an intention to make this event a regular one and open it to the international community by organising an International Printmaking Biennale.
However, although a prior document had been drawn up to take steps towards organising that international exhibition, starting in 1979, the initiative was eventually abandoned. Another goal was undertaken to continue holding a national exhibition, and this was achieved, with several subsequent exhibitions being held.
According to the organisers, the exhibition was designed to encourage the dissemination and expansion of a form of artistic expression that, due to its particular nature, is able to polarise the interests of most visual artists and sectors of the public who are most directly interested in this field (I Exposição Nacional de Gravura, 1977).
The aim of the printmaking exhibition was to arouse the interest of a wider audience by highlighting its movements, techniques and protagonists. As an exhibition-competition open to Portuguese printmakers and foreign printmakers working in Portugal, another of its goals was to reward artists with the best aesthetic and technical proposals by awarding two exhibition prizes (20,000 escudos each) that are able to transmit perspectives of innovation and eight prizes (5,000 escudos each) to print works the intrinsic characteristics of which were worthy of dissemination. As well as these awards, the regulations established that acquisition awards could also be given, the prices of which would be set by the artists, with Gravura retaining the right to keep 20% of the sale price.
As a requirement, the engravings had to be proofs suitable to print, with the competition entrants undertaking to, if selected, assist in the printing process (ibidem).
The printing prize would underwrite the expenses involved in a maximum print run of 200 proofs, or only 30 in the case of artist's proofs.
It was also in the regulations that each artist could enter a maximum of five works, covering a wide range of techniques, excepting monotypes, and up to a maximum size of 100 cm x 70 cm.
A committee was set up to select, assess and award the works. It comprised representatives of the three organising institutions: Cipriano Dourado (1921-1981) for Gravura, Fernando Calhau (1948-2002) for the Secretary of State for Culture and Fernando de Azevedo (1923-2002) for the FCG. Representatives of the Sociedade Nacional de Belas-Artes (Eurico Gonçalves) and the Fine Arts Schools of Porto and Lisbon (Ângelo de Sousa and João Conceição Ferreira respectively) were also invited to take part in the proceedings, and the Portuguese Section of the International Association of Art Critics (AICA) was also represented by Rocha de Sousa (1938).
Forty-five printmaker artists were eventually selected with pieces that were mostly produced during the previous decade, or recent works from 1976. The exhibition included 131 prints produced using many different techniques: screen printing, lithography, wood engraving, offset printing, etching, aquatint, etc.
The jury awarded the exhibition prizes to Gil Teixeira Lopes (1936) and Sérgio Pinhão (1949), who received an equal number of votes. The artists that received the most votes in the printing category were David de Almeida (1945), Matilde Marçal (1946), Nuno Barreto (1941-2009), Lourdes Leite (1935), Emília Nadal (1938), António Bouça (1945), José de Guimarães (1939) and Marília Viegas (1941).
The press eventually reported on the great number of attendees at the exhibition's opening in Lisbon, which to some extent justified the relevance of holding the initiative.
With the aim of promoting decentralisation of art and disseminating these printmakers' work in Portugal, the exhibition was also held in Porto at the city's Fine Arts School.

Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Acerca da moda feminina

António Bouça (1945-)

Acerca da moda feminina, 1977 / Inv. GP434

Cagadeiras em liberdade

António Pimentel (1935)

Cagadeiras em liberdade, Inv. GP418

s/título

António Pimentel (1935)

s/título, Inv. GP415

sem título

António Sena (1941- )

sem título, Inv. GP420

sem título

Bartolomeu Cid dos Santos (1931- 2008)

sem título, 1976 / Inv. GP2193

Carta para um emigrante

David de Almeida (1945-2014)

Carta para um emigrante, 1976 / Inv. GP653

sem título

David de Almeida (1945-2014)

sem título, 1977 / Inv. GP429

Paisagens

Emília Nadal (1938-)

Paisagens, 1976 / Inv. GP432

Espaço Humano I

Gil Teixeira Lopes (1936-2022)

Espaço Humano I, Inv. GP451

1.º de Maio V

José de Guimarães (1939-)

1.º de Maio V, 1976 / Inv. GP1257

1º de Maio

José de Guimarães (1939-)

1º de Maio, 1976 / Inv. GP1297

Le 1ème Mai - II

José de Guimarães (1939-)

Le 1ème Mai - II, 1976 / Inv. GP1282

Serigrafia II

José de Guimarães (1939-)

Serigrafia II, 1976 / Inv. GP1283

Variações sobre um tema II

José de Guimarães (1939-)

Variações sobre um tema II, 1976 / Inv. GP433

Escaltamento dos Santos Tachos

Lourdes Leite (1937-)

Escaltamento dos Santos Tachos, Inv. GP436

Virtude

Manuela Pinheiro (1939-)

Virtude, Inv. GP455

sem título

Maria de Lourdes Moura

sem título, Inv. GP2103

Paisagem I

Marília Viegas (1941-)

Paisagem I, 1976 / Inv. GP431

Entretenimento I

Matilde Marçal (1946)

Entretenimento I, Inv. GP435

sem título

Nikias Skapinakis (1931-2020)

sem título, 1975 / Inv. GP408

SA.5B

Nuno Barreto (1941-2009)

SA.5B, 1976 / Inv. GP749

SA.6

Nuno Barreto (1941-2009)

SA.6, 1976 / Inv. GP745

SA.8

Nuno Barreto (1941-2009)

SA.8, 1976 / Inv. GP746

SA.9

Nuno Barreto (1941-2009)

SA.9, 1976 / Inv. GP743

Musseques (da série Musseques, 1976-1982)

Renée Gagnon (1942)

Musseques (da série Musseques, 1976-1982), 1976 / Inv. GE718

Archernar

Sérgio Pinhão (1949)

Archernar, 1976 / Inv. GP966

Borealis I

Sérgio Pinhão (1949)

Borealis I, 1976 / Inv. GP958

Ophiuchus

Sérgio Pinhão (1949)

Ophiuchus, 1976 / Inv. GP449


Publicações


Material Gráfico


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00099

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência recebida e expedida, ofícios internos, elementos para o catálogo e recortes de imprensa. 1976 – 1977

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0423-D01239

8 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1977


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