Programa Cidadãos Ativ@s / Active Citizens Fund
13 Novembro, 2019 Conteúdo TSF

Ajudar as ONG a ajudar

O quarto eixo de intervenção do programa Cidadãos Ativos dedica-se a apoiar as entidades em si.

 

O quarto eixo de intervenção do programa Cidadãos Ativos, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Bissaya Barreto, dedica-se a reforçar a capacidade e a sustentabilidade da sociedade civil. Afinal, de que serve apoiar projetos se a instituição não sair fortalecida?

José Eleutério, da Gulbenkian, responsável pela coordenação do eixo quatro, explica que tudo começa com um diagnóstico a cada instituição.

“Para evitar que as medidas sejam avulso, tomadas por feeling da direção quisemos trazer um olhar externo que olhasse para a entidade, percebesse as suas necessidades e tomasse as decisões de forma mais racional e científica – não apenas porque ‘eu acho que faz falta isto’.”

No fundo, falta muita coisa a estas organizações, sobretudo recursos humanos.

“Os colaboradores das Organizações Não Governamentais (ONG) têm muitas vezes de assumir uma série de papéis. Alguém da área social tem de fazer também a comunicação, o marketing, a angariação de fundos, o planeamento estratégico, a gestão e a área financeira. Acabam por assumir muitos chapéus e às vezes não tem capacidade, nem tempo, para tal.”

Este é também um setor marcado por muita rotatividade entre os profissionais, o que resulta na falta de “capacidade para fazer as suas atividades do dia-a-dia” e acabam por não conseguir “escalar o seu trabalho” e “angariar o talento de que precisam”.

“Esperamos que com este apoio as ONG fiquem mais eficazes, mais eficientes e mais sustentáveis. É tudo isso que está em falta”, destaca José Eleutério.

O programa Cidadãos Ativos considera que seria ainda benéfico a criação de uma plataforma de direitos humanos que reúna e represente várias organizações desta área.

Isto permitiria às entidades estudar em conjunto os assuntos para melhor apresentar factos e provas e ter “uma voz mais forte, quer para falar com os média, quer para falar com os decisores políticos”.

“É diferente ter uma entidade a dar um alerta ou ter 30. Para alguém que quer apresentar uma denúncia ou uma reclamação é mais fácil chegar a uma plataforma” do que a uma só entidade, nota.

A Gulbenkian não recebeu candidaturas suficientes na primeira edição do concurso para a criação de uma plataforma de defesa dos direitos humanos, pelo que voltou a abrir uma nova ronda. Está a aceitar candidaturas até 29 de novembro.

 

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Atualização em 13 Novembro 2019