Paula Rego

Vanitas
2006

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Reino Unido, 2022)
Título
Vanitas
Data
2006
Materials and media
Papel; Alumínio; Pastel
Técnica
Pastel sobre papel montado sobre alumínio
Dimensões
Altura 110,00 cm (painel da esquerda); Largura 130,00 cm (painel da esquerda); Altura 130,00 cm (painel do centro); Largura 120,00 cm (painel do centro); Altura 110,00 cm (painel da direita); Largura 130,00 cm (painel da direita)
N.º de inventário
06P1372

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Inglaterra, 2022)
Intermediário
CAMJAP/FCG
Data
Maio de 2006

Texto

Vanitas foi uma encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian incluída no vasto programa das celebrações do cinquentenário da instituição em 2006. Numa entrevista televisiva, emitida no dia da apresentação do tríptico no CAM, Paula Rego conta ter pintado o painel central em último lugar: «Por fim, dei a importância toda à mulher, levantei-a. Note que estas duas figuras de mulher estão cortadas porque eu estava a pintar de cima e não via a parte de baixo; dei toda a importância a ela, ela teve que pôr a simbologia toda, as histórias e os mistérios, tudo, para trás da cortina e continuar a viver».

Pintando alguns objetos usados tradicionalmente nas vanitas (muito embora introduza outros inéditos ou reconhecíveis em quadros anteriores), Paula Rego parece seguir o tema canónico deste género de natureza-morta, popular na Europa do final do século XVI ao século XVIII: tudo na vida é efémero, o Homem é um ser para a morte. Porém, se nos painéis laterais o modelo Lila representa o torpor, o desengano e a implacabilidade imposta pela morte, no painel central, subvertendo o fatalismo clássico das vanitas, a figura feminina reemerge, liberta dos condicionalismos, como se conquistasse à morte uma nova oportunidade de viver. 

O tríptico de Paula Rego parte do conto Vanitas, 51 Avénue D`Iéna, de Almeida Faria (n. 1943). Na ficção espectral de Almeida Faria Calouste Gulbenkian, embora morto, continua apegado à sua coleção de arte e às aventuras e prazeres que ela lhe proporcionou (assim o revela o solilóquio noturno que impõe a um interlocutor transido de frio e cansaço). Neste aspeto, a Vanitas de Paula Rego constrói a sua antítese: a protagonista atira para trás das costas todos os momento mori e apresenta-se inteira e desafiadora.

 

Susana Neves
Maio 2010

Definição de Cookies

Definição de Cookies

Este website usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. Podendo também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.