• 2001
  • Madeira, Cinza e Alumínio
  • A definir
  • Inv. EE65

Richard Deacon

UW84DC#14

UW84DC#14 integrou uma instalação de quinze esculturas com o mesmo título, apresentada na Dundee Contemporary Arts, Escócia, em 2001. O título, escrito como uma mensagem de texto num telemóvel, corresponde, algo cripticamente (mesmo para uma pessoa de língua inglesa) a “you wait for the sea”, em português “espera pelo mar”. O conjunto de obras sugeria o movimento do mar, no serpentear da madeira que parecia mover-se com as propriedades da água.* Esta imagem, surpreendente para uma exposição de esculturas em madeira e alumínio, adequa-se à designação enigmática da instalação e à sua exposição na cidade industrial de Dundee, na proximidade do Mar do Norte. 

 

O escultor relaciona a linguagem e a matéria, notando que ambas são fabricadas pelo homem e se constituem à medida que são trabalhadas, usadas. Geram o seu próprio sentido, e esta ideia está no cerne do seu pensamento artístico. Deacon vê-se como um fabricator, como um criador de formas, necessariamente inúteis, mas que testemunham, que querem significar, a experiência humana do mundo. As suas esculturas conjugam formas orgânicas e biomórficas com elementos de engenharia, explorando como uma forma é fixa, trabalhando a ideia de “dentro” e de “fora”, a ideia de uma forma finita, contida pelo seu contorno ao mesmo tempo que se escapa dele. Para um escultor que gosta de desenhar nuvens, há no trabalho de Deacon o apreço por uma certa indefinição ou ambiguidade, contrastante com o modo primoroso, magistral, como domina a sua execução material. O espírito barroco está muito presente na sua obra – Deacon é um entusiasta admirador de Bernini –, na ideia da evidência disciplinada do tratamento da forma, simultânea ao desejo de uma potencial plasticidade ou fluidez, que permanece latente.

 

A instalação UW84DC foi apresentada em simultâneo com uma instalação sonora** denominada Umhh, de 2000, um emaranhado de interjeições e palavras soltas, supérfluas, resultantes da edição de uma entrevista gravada. Apresentados em conjunto, a sequência de sons e de formas remetem para a “dobra” leibniziana*** do pensamento sobre o Barroco, em que não há um centro, não há um ponto a partir do qual se perspectiva o conhecimento, que, pelo contrário, é policêntrico e polissemântico. Deacon demonstra aqui que há um lado atractivo e um lado repulsivo no conhecimento, quando encaramos, também fisicamente, algo que nos surpreende, e nos dispomos a torná-lo significante. Na aparente incongruência formal destas aparas de lápis gigantes,**** a sua escultura testemunha o desafio (talvez inútil mas certamente poderoso) da nossa rápida passagem pelo mundo.

 

 

Ana Vasconcelos

Maio de 2010

 

 

* Vikki Bell, «Richard Deacon. Sculpture», in Richard Deacon, Dundee, Dundee Contemporary Arts, 2001, p. 9. 

** Realizada em conjunto com Martin Kreybig.

*** Tal como foi trabalhada por Gilles Deleuze citado por Clarrie Wallis in «Out of Order», in Richard Deacon. Out of Order, St. Ives, Tate St. Ives, 2000, p. 31.

**** Vikki Bell, op. cit., p. 9.

TipoValorUnidadesParte
Largura357cm
Profundidade159cm
Altura83cm
TipoAquisição
DataSetembro de 2008

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