• 2000
  • Contraplacadode tola
  • A definir
  • Inv. 00E1036

Rui Sanches

S/ Título

Iniciando o seu percurso artístico pela pintura, Rui Sanches viria a preteri-la pela escultura. Porém, nos anos 80, a pintura permaneceu como referente histórico, constituindo-se como matriz da escultura num programa de investigação e desconstrução de obras pictóricas neoclássicas. Abandonando a supremacia geométrica, de grande contenção formal, as esculturas de formas curvilíneas surgiram na obra de Rui Sanches a partir do início dos anos 90, precisamente quando o seu trabalho se começou a afastar da inspiração de referente histórico. A linguagem então seguida demonstrou, de igual modo, um desvio da apetência mais puramente geométrica, tornando-se mais orgânica, sedimentar. As linhas fluidas mantiveram, como material preferencial, a madeira que, nestes casos jamais sendo pintada, também apenas ocasionalmente entra em diálogo com o metal (usualmente bronze simples ou policromado), o vidro ou o espelho. Estas formas, de que é exemplo a obra Sem Título, criadas pela sobreposição de placas de madeira, cortadas em tamanhos diferentes e com ligeiras alterações entre si geram, como numa sucessão de desenhos similares, uma ilusão de movimento, uma dinâmica intrínseca que sugere o trabalho do tempo (e dos elementos) sobre a superfície da paisagem. A sua irregularidade e, no caso, a impossibilidade de se lhe definir uma face principal, apela a um tipo de exploração espacial que exige do espectador uma atitude de atenção a partir de diversos pontos de vista. Para tanto, também concorre a dimensão média da escultura, permitindo que esta seja percepcionada no seu corpo total.

 

Apesar da citação topográfica, Sem Título autoriza também um paralelismo com formas anatómicas que, embora distantes da citação iconográfica histórica de obras anteriores e posteriores, encontram eco em várias obras do autor criadas desde os anos 90. Afirmação da metamorfose como base do trabalho de criação e recriação, de um incessante retorno ao exercício e à investigação formal, as placas de madeira – jamais madeiras nobres, antes, com frequência, sucedâneos industrialmente processados, gerando uma «presença que não cria distância, porque são pouco impositivos, não são excessivamente caros, não são excessivamente raros»*, como o artista já afirmou – constituintes desta linha de obras reservam ainda a capacidade de, na sua notória austeridade, mimar objectos de uso familiar, prosaico ou sacro; de sugerir fragmentos de figuração humana (cabeças, torsos), arquitectónica (coluna, pórtico) ou paisagística (montanha, vale, vulcão, tronco de árvore).

 

Exercício analítico do desenho como corte do mundo, estas peças (que, por vezes, são utilizadas como moldes para as linhas traçadas no papel) evidenciam uma natureza táctil, apelativa na sua irregularidade, no rigoroso exercício da assimetria como geradora de equilíbrio. O desenho, que Rui Sanches investiga, a par da escultura, há quase três décadas, encontra neste exercício escultórico uma maior afinidade corporal e, provavelmente, a sua mais clara e notória materialização.

 

 

Emília Ferreira

Maio de 2010

 

* In Emília Ferreira, «Entrevista a Rui Sanches. Algumas linhas sobre a obra», in Rui Sanches. Relações formais, Almada, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, 2007, p. 18.

TipoValorUnidadesParte
Altura127cmesfera
Largura127cmesfera
Profundidade127cmesfera
TipoAquisição
DataJunho de 2000
Rui Sanches - retrospectiva
CAMJAP/FCG
Curadoria: Leonor Nazaré
19 de Abril de 2001 a 29 de Julho de 2001
Galeria do Piso 1 do Museu do CAM
Exposição de escultura e desenho.
À luz de Einstein 1905-2005
Serviço de Ciência/FCG
Curadoria: Serviço de Ciência/FCG
3 de Outubro de 2005 a 15 de Janeiro de 2006
Galeria de Exposições Temporárias da sede da Galeria de Exposições Temporárias da sede da FCG.
Exposição organizada no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Física. Os comissários da exposição são Ana Maria Eiró, da FCUL e Carlos Matos Ferreira, do IST, assessorados por uma comissão científica (Ana Isabel Simões, Gonçalo Figueira, João Mendanha Dias, Luís Oliveira e Silva, Luís Viseu Melo, Paulo Crawford, Pedro Brogueira, Rui Agostinho e Teresa Peña).
Rui Sanches
Centre Culturel Calouste Gulbenkian
Curadoria: Centre Culturel Calouste Gulbenkian
9 de Março de 2004 a 9 de Abril de 2004
Centro Cultural Calouste Gulbenkian, Paris
Exposição de desenhos e esculturas de Rui Sanches
Exposição Permanente do CAM
CAM/FCG
Curadoria: Jorge Molder
18 de Julho de 2008 a 4 de Janeiro de 2009
Centro de Arte Moderna
Exposição Permanente entre 18 de Julho de 2008 a 4 de Janeiro de 2009.

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