• 1968
  • Tela
  • Tinta acrílica
  • Inv. 68P764

Júlio Pomar

Mêlée

Após a pesquisa em torno do movimento — desenvolvida, numa primeira fase, no ciclo das “Tauromaquias” e, numa segunda fase, em torno do tema das corridas de cavalos — e as indagações sobre o espaço curvo do metro, os anos 60 na produção de Júlio Pomar começam a assistir a mais uma metamorfose. Sensivelmente coincidente com o início do uso do acrílico — técnica que começa a empregar em meados da década de 60 —, a pintura de Pomar começa a gravitar em torno de temas como Luta, Catch ( iniciadas em 1965), Rugby (iniciado em 1967), Futebol (em 1967) ou Mai 68 (CRS-SS) (de 1968). Se a pesquisa em torno do movimento se mantém, a sua linguagem é agora inteiramente distinta da gestualidade pictórica das “Tauromaquias”. Como afirma Fernando Azevedo, “O galope caligráfico apazigua-se e reconstitui-se o plano e a cor unida.”* Não obstante a reflexão sobre o movimento estar ainda presente nesta obra, o tratamento das formas e das cores permite já discernir o início de uma metamorfose completada plenamente após as variações em torno do Banho Turco de Ingres, iniciadas em 1968 e desenvolvidas até 1973.

 

Intitulada Mêlée — que tem como múltiplos significados “barafunda, maralha, confusão / tumulto, contenda, luta, conflito, disputa / formação (râguebi)”, podendo ainda integrar expressões como au dessus / au dehors de la mêlée, significando “de fora, à parte”, ou se jeter dans la mêlée, significando “entrar na luta”** —, percebemos que tanto formal como tematicamente esta obra se insere nas pesquisas que então desenvolvia. Com uma paleta cromática restrita — azuis, brancos, cinzas, amarelos e vermelho —, as figuras são dispostas sobre um fundo azul uniformizado. O contraste deste azul com o branco das figuras destaca-as de imediato e a disposição destas formas na composição — aglomeradas em dois grupos cujas linhas de força parecem tender a colidir e extravasar os limites do quadro — confere dinamismo à pintura, dinamismo ao qual não é alheio a introdução de três manchas de cores quentes num ambiente eminentemente definido pelos tons frios. No entanto, note-se como essa sensação de movimento já não advém do rasto da pincelada, como ocorria, ainda em 1967, numa tela como Rugby.*** As formas tendem agora a ser definidas por cores compactas e o recorte dos seus limites a ser cada vez claro e preciso. Daqui até à pesquisa sobre a forma iniciada um ano depois em Banho Turco, aliando o linearismo de Ingres com os guaches recortados de Matisse, será apenas um passo.

 

* Fernando Azevedo, “Pomar” in Júlio Pomar: Pintura, Escultura, Desenho, Gravura, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian/Serviço de Exposições e Museografia, 1978, s/p.

 

** A. Soares, M.J. Santos, Francês-Português. Dicionário do Tradutor, Faro, Editor Noémio Ramos, 2003, p. 458.

 

*** Ver Júlio Pomar. Catálogo ‘Raisonné’ I. Pinturas, Ferros e ‘Assemblages’. 1942-1968, Paris, La Différence, 2001-2004, pp. 258-259.

 

 

 

Luísa Cardoso

Fevereiro 2015

TipoValorUnidadesParte
Altura97,5cmmoldura
Largura146,7cmmoldura
Profundidade3cmmoldura
Largura146cm
Altura97cm
Tipo data
Texto68
Posiçãofrente, canto inferior direito
Tipo assinatura
TextoPomar
Posiçãofrente, canto inferior direito
TipoAquisição
DataOutubro 1968
50 Anos de Arte Portuguesa
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2007
ISBN:978-972-678-043-4
Catálogo de exposição
Júlio Pomar: um artista português
São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2008
Catálogo de exposição
50 Anos de Arte Portuguesa
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: Fundação Calouste Gulbenkian
6 de Junho de 2007 a 9 de Setembro de 2007
Sede da FCG, Piso 0 e 01
Exposição programada pelo Serviço de Belas-Artes e pelo Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian. Comissariado: Raquel Henriques da Silva, Ana Ruivo e Ana Filipa Candeias
Júlio Pomar: um artista português
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Curadoria: Hellmut Wohl
5 de Abril de 2008 a 18 de Maio de 2008
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Comissário da exposição Hellmut Wohl.
Júlio Pomar - Desenho, Gravura e Pintura
Museu do Neo-Realismo
Curadoria: Museu do Neo-Realismo
11 de Dezembro de 2004 a 31 de Janeiro de 2005
Biblioteca Pública Municipal Calouste Gulbenkian, Mação
A exposição foi inaugurada em Mação com a presença de Júlio Pomar.Esta foi a primeira vez que uma exposição de Júlio Pomar esteve no interior do País.
4º Prémio Amadeo de Souza-Cardoso: Júlio Pomar
Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso
Curadoria: Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso
13 de Setembro de 2003 a 2 de Novembro de 2003
Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso
Exposição realizada no âmbito da atribuição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso ao Mestre Júlio Pomar.
Atualização em 23 janeiro 2015

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