Leonor Antunes. da desigualdade constante dos dias de leonor*

A exposição «Leonor Antunes. ‘da desigualdade constante dos dias de leonor’*», que inaugurou o edifício do CAM, viajou para o CRAC Occitanie, em França.

A exposição Leonor Antunes. les inégalités constantes des jours de leonor*, concebida e produzida pelo CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian, com curadoria de Leonor Antunes e Rita Fabiana, está patente ao público no CRAC Occitanie – Centre Régional d’Art Contemporain, em Sète.

Contando com o apoio da delegação da Fundação Gulbenkian em França, surge na sequência da exposição Leonor Antunes. da desigualdade constante dos dias de leonor* que esteve aberta ao público entre 21 de setembro de 2024 e 17 de fevereiro de 2025, no CAM, nos espaços da Nave e do Mezanino.

Esta nova instalação escultórica da artista portuguesa Leonor Antunes, com cerca de 40 obras, propõe uma releitura crítica dos lugares e das suas histórias, e encontra-se distribuída por seis salas do CRAC. O título, por seu lado, surgindo com um asterisco, cita um desenho de 1972 – ano do nascimento de Antunes – da autoria da artista, cineasta, escritora e poetisa portuguesa Ana Hatherly. Este gesto reforça a ligação íntima e profunda que parece existir entre as duas artistas.

Nesta exposição, o visitante é convidado a deambular livremente por uma floresta de objetos que misturam o registo da escultura com o das artes decorativas, ornamentos e mobiliário cenográfico, quebrando as categorias convencionais entre arte, design e arquitetura. Não existe um itinerário definido: cada um é livre de ir à deriva para onde o seu olhar o levar, numa relação intuitiva, evolutiva e igualitária com o lugar.

Em Lisboa, paralelamente à instalação dos seus trabalhos, que estavam enraizados na arquitetura do edifício, Leonor Antunes selecionou obras da Coleção do CAM, exclusivamente de artistas mulheres, algumas das quais foram apresentadas pela primeira vez desde a sua aquisição.

Nas duas apresentações, a artista volta a utilizar um método de entrelaçamento de referências, citações, motivos, técnicas e saberes. Ao pesquisar sobre a história da arte, a arquitetura e o design, Antunes redescobriu figuras marginalizadas, propondo uma abordagem descentrada das narrativas estabelecidas da modernidade, predominantemente masculinas, heroicas, lineares e pouco inclusivas. De tal forma que muitas das esculturas da exposição são referências diretas a autoras como Marian Pepler, Sadie Speight e Sophie Taeuber, cujos nomes próprios ou iniciais podem ser encontrados nos títulos das obras.

A presença recorrente de nós, malhas e redes de pesca reflete a preocupação de Antunes em ligar figuras artísticas e novas genealogias. Os materiais utilizados na criação de esculturas de chão – cortiça, linóleo, latão – são relativamente desprestigiados e frequentemente associados a espaços domésticos e, como consequência, ao universo feminino. A artista, aqui, concede-lhes, pelo contrário, um lugar simultaneamente monumental e central.

As suas obras são atravessadas pelo olhar e interagem entre si, numa rede infinita de relações e de afinidades, constantemente reconfiguradas. Esta transparência e fluidez, que estão no centro do sistema cenográfico desenvolvido por Leonor Antunes, podem ser compreendidas por cada visitante, em França, até 31 de agosto de 2025.

 

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