Eurico Gonçalves (1932-2022)

Eurico Gonçalves faleceu no passado dia 10 de julho aos 90 anos. Foi o criador de uma estética que designou como Dadá-Zen onde relaciona o vitalismo Dada e a atitude filosófica Zen.
Eurico Gonçalves, «Zenga», 1974. Inv. P1379

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, entre 1966 e 1967, Eurico era irmão do crítico e historiador de arte Rui Mário Gonçalves, falecido em 2014. Além de ter sido crítico de arte em vários jornais e revistas portuguesas, Eurico publicou livros ligados ao seu vasto conhecimento acerca da expressão plástica da criança.

Eurico Gonçalves iniciou o seu percurso artístico aderindo ao surrealismo. Em 1950-1951, escreveu e ilustrou narrativas de sonhos, textos automáticos e poemas. O seu trabalho evoluiu dessa fase figurativa para uma abstração de foro gestual e não geométrica.

A Coleção do CAM detém oito obras do artista de grande importância, abarcando várias fases da sua produção plástica.

 

Eurico Gonçalves, «20 - 8 - 64 - M», 1964. Inv. 65DP1440
Eurico Gonçalves, Sem título, 1958. Inv. 83DP1074

 

Entre 1964 e 1966, a obra de Eurico revelou um interesse pela arte oriental, expressa nas «Caligrafias» e «Escritas», como é exemplo a obra do CAM intitulada 20 – 8 – 64 – M. A importante série de obras «Estou Vivo e Escrevo Sol», iniciada em 1970, partia do poema homónimo de António Ramos Rosa. A Coleção do CAM possui uma obra desta série, em que a cor vermelha se destaca em toda a área pictórica, bem como a presença do círculo – imagem da harmonia que contrasta com a escrita rápida na parte inferior. Nas «Desdobragens» dos anos de 1980 há um gesto lúdico e a presença das cores primárias, como é o caso de Desdobragem, pertencente à Coleção.

A essência de um pensamento poético mágico ligada à sapiência Zen valorizam na obra de Eurico a mancha e o traço livre e arrebatador.

Atualização em 18 julho 2022

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