Zineb Sedira. Standing Here Wondering Which Way to Go
Slider de Eventos
Data
- sáb,
- Encerra Terça
Local
Espaço Projeto Centro de Arte Moderna GulbenkianZineb Sedira (Paris, 1963) é uma artista franco-argelina que tem investigado temas em torno da migração, memória e transmissão, cruzando narrativas coletivas e pessoais, por vezes autobiográficas, questionando a parcialidade das histórias oficiais.
Na sua primeira exposição individual em Portugal, Sedira regressa aos temas da arte e resistência (e revolução), partindo de uma investigação sobre o Festival Pan-Africano de Argel (PANAF) de 1969, organizado pelo novo estado argelino, independente desde 1962. A sua capital, Argel, emerge como um lugar de encontros «revolucionários» para muitos dos movimentos globais de libertação e dos diferentes militantismos e utopias das décadas de 1960 e 1970. Em Argel é criada, em 1965, a primeira Cinemateca do continente africano, a par da emergência de um cinema militante, com coproduções internacionais. Produzido pelo estado argelino, o filme Festival Pan-Africano de Argel (1969) de William Klein é uma das presenças e evocações centrais da instalação.
O título da exposição, Standing Here Wondering Which Way to Go [Permaneço Aqui Pensando que Caminho Seguir], recupera uma canção interpretada pela cantora gospel afro-americana Marion Williams no PANAF, um extenso evento cultural e político de celebração e afirmação da cultura como arma de resistência à dominação colonial, e uma poderosa manifestação de esperança na mudança do mundo.
A instalação constrói-se em 4 «Cenas»: o vídeo mise-en-scène, realizado com negativos encontrados de filmes militantes; a série de fotomontagens e objetos For a Brief Moment the World Was on Fire…; o diorama Way of Life que reencena, em tamanho real, a sala de estar londrina de Sedira, estilo sixties; e a sua coleção de vinis de canções militantes We Have Come Back. Reúne também um conjunto de «presenças criativas», como William Klein, Jason Oddy, Nabil Djedouani e fotógrafos desconhecidos argelinos; e uma seleção de fotografias de Boubaker Adjali, realizadas em Angola e Moçambique em 1970, assim como um conjunto de edições portuguesas e outros documentos de luta e protesto que dialogam com o contexto histórico português.
Standing Here Wondering Which Way to Go é um projeto encomendado pelo CAM, em colaboração com Jeu de Paume em Paris, France; IVAM de Valencia, Espanha; e Bildmuseet de Umeå, Suécia. A exposição é coproduzida com a Tabakalera Centro Internacional de Cultura Contemporánea, San Sebastián, Espanha.
Temas
«Cena 2: For a Brief Moment the World Was on Fire…»
«Cena 3: Way of Life»
«Cena 4: We Have Come Back»
-
«Cena 1: mise-en-scène»
Vídeo composto por sequências de imagens de vários filmes militantes realizados na Argélia, a partir dos anos de 1960, e projetados na Cinemateca de Argel, a primeira do continente africano, criada em pleno período pós-independência. Algumas destas sequências revelam a usura do tempo – riscadas, desvanecidas ou apagadas –, devolvendo parcialmente imagens de vida do povo argelino e do seu combate político anticolonial, outras surgem já só como imagens «abstratas». Nesta obra, a artista evoca a fragilidade e a descontinuidade da memória e dos seus suportes e a vulnerabilidade dos arquivos, nomeadamente os arquivos de cinema argelinos.
Foto: Vista da instalação no CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa © Pedro Pina
-
«Cena 2: For a Brief Moment the World Was on Fire…»
Série de fotomontagens composta de revistas, recortes de jornais, capas de vinil, fotografias, declarações políticas das décadas de 1960 e 1970 e objetos coletados pela artista ao longo dos anos ou encontrados em diferentes arquivos argelinos e franceses. Este trabalho, que coloca lado-a-lado memórias pessoais e coletivas, devolve-nos o entusiasmo e a energia criativa que tomou a nova nação argelina no período pós–independência, e a sua capital, Argel, lugar de encontro «revolucionário» de muitos dos movimentos anticoloniais e anti-imperialistas globais e de libertação africanos.
Foto: Vista da exposição no CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa © Pedro Pina
-
«Cena 3: Way of Life»
Reconstituição em tamanho real da sala de estar londrina de Zineb Sedira, verdadeiro espaço de vida e arquivo pessoal, que coloca em cena a sua relação
com a herança cultural africana e com o imaginário cultural e político dos anos de 1960. Com mobiliário e objetos dessa década, livros sobre a Argélia e
os movimentos de resistência coletados pela artista, a obra convida-nos a partilhar um espaço simultaneamente íntimo e de intenso convívio com familiares e amigos, que ecoa o espírito de hospitalidade e celebração do Festival Pan-Africano de Argel de 1969.Playlist We Have Come Back, de Nabil Djedouani, 30’
We Have Come Back Part 1 (1969)
Archie SheppPanafricain Festival (1970)
Bob DestinyRevolution (1969)
Nina SimoneAir Algiers (1971)
Country Joe Mac DonaldsBlack Panther (1969)
Sir Collins and The Black DiamondDag Dagui (1970)
Mohamed MazouniEl Manifiesto (1974)
Victor JaraChe Guevara (1969)
Mohamed LamariAfrica (1989)
Miryam MakebaFoto: Vista da instalação no CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa © Pedro Pina
-
«Cena 4: We Have Come Back»
O título desta instalação convoca a performance musical do saxofonista e músico de jazz Archie Shepp, juntamente com Ted Joans, durante o Festival Pan-Africano de Argel de 1969. A instalação apresenta discos em vinil da coleção da artista, reunindo músicas africanas de intervenção dos anos de 1960, de artistas que cantam a liberdade, a luta pelos direitos civis e pela libertação da opressão colonial, como Archie Shepp, Miriam Makeba, Marion Williams, Nina Simone, Mohamed Lamari ou Victor Jara, muitos deles presentes neste festival.
Foto: Vista da exposição no CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa © Pedro Pina
Biografias
-

Zineb Sedira
Zineb Sedira (Paris, 1963) estudou na Central Saint Martins, na Slade School of Art e no Royal College of Art, Londres. Atualmente, vive entre Londres, Paris e Argel. A sua prática cruza a fotografia, o filme e a instalação, com uma atenção particular aos arquivos, nomeadamente aos de cinema, questionando as narrativas históricas que estes contêm. As histórias e as memórias da sua própria família têm estado igualmente no centro de muitos dos seus trabalhos. A artista tem exposto regularmente desde 2002 em exposições individuais e coletivas e tem marcado presença em várias Bienais, como a Bienal de Veneza ou a Bienal de Sharjah.
Ficha técnica
Curadoria
Rita Fabiana
Imagem principal
Vista da instalação na exposição Way of Life, no CAM © Pedro Pina
Coprodução
Apoio
A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.