Revisão de 1966

Em Dezembro de 1966   Azeredo Perdigão, presidente de Fundação, informa  o Conselho da Fundação que se  havia fechado o  negócio da aquisição  com o Conde Vilalva,  “ de mais uma parcela  de terreno anexa pelo lado Sul , […] com a largura média de cerca de 26 m e uma área total  de 4.675m2”[i]

 Esta compra de mais uma parcela do Parque de Santa Gertrudes resultava de um conjunto de alterações programáticas, de natureza cultural, decorrentes da decisão de ampliar os anexos no piso inferior do Auditório e de criar um Centro de Ballet que se localizaria a sul da propriedade.

 

 

 A  18 de Outubro de 1965 numa troca de correspondência, entre José de Azeredo Perdigão e o Conde de Vilalva, sobre o muro de divisória das duas propriedades lê-se que é urgente a :“(…) definição, de um modo tanto quanto possível definitivo, da extrema entre a propriedade de V.Ex.ª. e a parte do Parque de Santa Gertrudes, (…)que pertence à Fundação.” (…).Esse muro, construído em meia vez de tijolo, está de novo, em grande parte, no chão (…). torna-se necessário construir um importante edifício precisamente junto à actual extrema divisória (…) é indispensável que V.Ex.ª. nos diga se estará disposto, mais uma vez, (…) a ajudar-nos, vendendo à Fundação, por preço a combinar, mais um lote de terreno(…)”[ii].

 Durante  o ano de 1964  foram  desenvolvidos um conjunto de estudos que procuravam encontrar  a melhor solução  da área  a adquirir.

 Em  Novembro de  1964 Gonçalo  Ribeiro Telles  considera  que a construção de um edifício, que funcionaria como Centro de Educação Artística, numa faixa a Sul do terreno iria comprometer um valioso maciço arbóreo aí existente.

 Perante esse parecer Guimarães Lobato arquiva o processo, que só será reaberto um ano depois em Outubro de 1965, quando se pensa instalar já não o Centro de Educação Artística mas o novo Centro de Ballet.

 Os arquitetos paisagistas são  mais uma vez consultados  sobre a  possível ampliação. Desta  consulta resultou um conjunto  de peças  desenhadas [iii] e   um  documento  assinado pelo  arquiteto Jorge Sotto-Mayor de Almeida e pelo arquiteto  Gonçalo Ribeiro Telles  onde foi claramente  definido  o caminho  a seguir.

 Decidida a área e a forma da parcela a adquirir dá-se início a um processo de revisão do ante-projecto apresentado em 1963.

 Esta ampliação da  área permitiu:

– um reforço da expressão do lago no  desenho do conjunto. Anteriormente alimentado  só por um pequeno regato surge agora alimentado por três. A sua relação com  o grande auditório torna-se mais eloquente.

– Um reforço da axialidade definida pela vegetação e pelo modelação de  terreno, perpetuando um eixo que havia sido definido por Jacob Weiss.

– Um reforço do enquadramento do anfiteatro.

Para além destas alterações diretamente relacionadas com a ampliação da área do parque procedeu-se também  à revisão do desenho das entradas para o parque subterrâneo.

[i] AM S.P.O, Pasta 1351, Proc95, vol,1f-B-4-1

[ii] AM S.P.O, Pasta 1351, Processo 26, vol. 2

[iii]  Estudo da ampliação do Parque

Cálculo de Áreas – Estudo da ampliação do Parque

Estudo para a implantação do anfiteatro e sistema de circulação

Planta do Parque de Santa Gertrudes onde está registada a nova área a adquirir ao conde de Vill’Alva

Expansão do Parque Calouste Gulbenkian

Espólio desta fase de projeto:

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