• França, Escola de Troyes, c. 1510
  • Calcário
  • Inv. 543
  • Escultura

Santa Maria Madalena

A atribuição desta imagem de Santa Maria Madalena ao Ateliê do Mestre de Santa Marta, ativo entre 1510-1540, na região de Champagne, explica-se devido à sua sobriedade e contenção, ainda totalmente medieval no estilo e no espírito. Santa Maria Madalena, irmã de Marta e de Lázaro, pode ser identificada graças ao vaso de perfumes que transporta na mão direita, cujo conteúdo espalhara sobre os pés de Cristo. No entanto, nesta imagem, a Santa, representada tradicionalmente ora como pecadora ora como penitente, surge em situação de compromisso, envolta num manto que lhe cobre parcialmente o rosto e trajando sobriamente pesadas vestes, à maneira das mulheres de Campagne no início do século XVI.

Na região de Campagne, surgiu durante a primeira metade do século XVI, um novo centro artístico, localizado em Troyes, que iria assegurar a manutenção da tradição gótica, quando a grande escultura estava já a ser invadida pelo preciosismo renascentista. Esta obra é proveniente da Coleção Gréau, colecionador que reuniu apenas obras executadas nesta região.

Proveniência

Coleção Gréau; Coleção Manzi. Adquirida por Calouste Gulbenkian, por intermédio de Graat et Madoulé, na venda Manzi, realizada na Galeria Manzi, 15 de dezembro de 1919 (lote 126).

A.52,2 cm; L. 18,2 cm; Prof. 12,1 cm

Koechlin e Marquet de Vasselot 1900

Raymond Koechlin e Jean-J. Marquet de Vasselot – La Sculpture à Troyes et dans la Champagne Méridionale au Seizième Siècle : Étude sur la transition de l’Art Gothique à l’Italianisme. Paris : Armand Colin, 1900.

Jullian 1965

René Jullian – La Sculpture Gothique. Paris : H. Laurens, 1965.

Baron 1980

Françoise Baron – La Sculpture en Campagne au Moyen-Âge. Paris : Musée d’Art et Essai, 1980. Regards sur l’Ecole Troyenne de Sculpture du XVIe siècle. In La Vie en Champagne, numéro 309 spécial, 29e année, avril 1981.

Figueiredo 1992

Maria Rosa Figueiredo – A Escultura Francesa. Catálogo de Escultura Europeia. Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 1992, vol. I, p. 26-31.