• Haia: Pierre de Hondt, 1746
  • Grande in-4º; 332 pp.; 31 est.; impresso sobre papel: encadernação holandesa do século XVIII, em marroquim verde-escuro, com decoração gravada a ouro
  • Inv. LA21
  • Ex-libris da Coleção Poullier-Ketele – PK – Tout passe le livre reste
  • Arte do Livro

«Les Principales Avantures de l’Admirable Don Quichotte […]»

Embora se trate de uma versão abre­viada do texto de Cervantes, «tirada do origi­nal espanhol», as trinta e uma estampas, gravadas a água-forte que a integram traduzem um notável exercício de entendimento do texto original do romance. Para tal contribui a mestria de Charles-Antoine Coypel, pintor do rei de França (Luís XV), que no ano seguinte à sua admissão na Academia (1715) deu início a um projeto que viria não só a marcar a sua carreira artística, como a criar o con­junto de desenhos, que se tornariam a matriz da imagem do Quixote. A isto se deveu a execução de cartões para a Suite de Don Quichotte, série de tapeçarias a ser executada pela Manufatura dos Gobelins (1716-1751), composições que Coypel posteriormente mandou passar a gravura (1721).

A edição de Pierre de Hondt, que integra, entre outros, composições de Cochin ou Boucher, surge em contexto cortesão e as suas ilustrações, como cenas de género, sugerem a influência de Watteau. Tal como é referido na dedicatória ao Serenís­simo Príncipe Real da Polónia, duque de Saxe, François Xavier, a obra destinava-se «ao divertimento das gentes de gosto e mesmo às mais sérias», utilizando um estilo refinado e elegante, em que a pre­sença de alegorias, no início e no final do livro, poderá apontar para uma leitura de natureza moral de cariz didático, ainda que sem com­promisso ou sujeição a um programa iconográfico preestabelecido.

Adquirida por Calouste Gulbenkian, através de Henri Leclerc, na venda da Coleção de Madame Poullier-Ketele, Galerie J. & A. Le Roy Frères, Bruxelas, 16 de maio de 1924 (lote 323).

A. 35,5 cm; L. 27 cm
Encadernação: A. 36,5; L. 27 cm