• Egito, Império Novo, XVIII dinastia (c. 1300 a. C.)
  • Calcário policromo
  • Inv. 160

Estela do escriba Iri

A composição desta estela de calcário de topo arredondado desenvolve-se em dois registos. O registo superior mostra um santuário, onde estão sentados, em seus tronos, o rei Ahmés, fundador da XVIII dinastia, e a rainha Ahmés-Nefertari. O faraó exibe a coroa kheprech, segurando na mão direita o símbolo ankh e na esquerda um cetro real. A seu lado, a rainha exibe um toucado composto por uma coroa de altas plumas, envolvendo o faraó com o braço esquerdo, numa atitude intimista, bastante comum nas representações de casais. Diante de ambos está uma mesa de oferendas, repleta de virtualhas.

No registo inferior, o escriba Iri, ajoelhado, faz uma prece, a qual aparece inscrita de hieróglifos à sua frente. Tanto as figuras do rei e da rainha, do santuário, do altar de oferendas e dos vasos, como a do escriba, em baixo, foram executadas em suave relevo, enquanto os hieróglifos e as linhas verticais de separação foram incisos. Há vestígios de policromia nos caules verdes que rematam as oferendas sobre o altar no corpo do escriba, que de acordo com os cânones foi feito com uma tonalidade acastanhada, nos hieróglifos a preto e nas linhas separadoras vermelhas.

O santuário dá-nos um bom indício de um dos cânones da arte egípcia: o desvirtuamento da realidade para melhor perceção daquilo que é representado – na realidade, o santuário era fechado de lado, mas aqui é mostrado como se fosse transparente para observarmos as figuras no seu interior.

Coleção MacGregor. Adquirida por Calouste Gulbenkian, por intermédio de Howard Carter, na venda da Coleção MacGregor, Sotheby's, Londres, junho/julho de 1922.

Araújo 2006

Luís Manuel de Araújo, Arte Egípcia. Colecção Calouste Gulbenkian. Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 2006, pp. 80-83, cat. 10.

Atualização em 21 junho 2022

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