Ver

Almada Negreiros privilegiava o sentido da visão sobre todos os outros, entendendo-o como raiz de toda a arte e pensamento. No fim da vida, elegeu a palavra espetáculo como a que melhor definia a arte nas suas linguagens múltiplas. Na sua origem etimológica (do latim spectāre), significava contemplar, ver. Ver era também o título que Almada previa para o livro dedicado aos seus estudos sobre geometria e número, do qual publicou apenas uma parte, em 1948, com o título Mito-Alegoria-Símbolo.

As suas pesquisas autodidatas tinham o objetivo de encontrar uma linguagem universal e intemporal, comum a toda a comunicação visual e «anterior às palavras». O trabalho que desenvolveu incidiu sobretudo na geometria plana, em particular nas propriedades geométricas da relação entre a circunferência e o quadrado. Ao conjunto de elementos visuais universais chamava cânone, não para estipular uma norma para a pintura, mas por querer apurar pictoricamente as regras essenciais de toda a representação visual.

As suas pinturas abstratas são, assim, paradoxalmente, também figurativas: são a representação das relações geométricas que acreditava serem a base de toda a representação.

412-1 Sem título, sem data . Não assinado / Não datado . Óleo sobre tela 200 x 200 cm. Coleção particular
305-1 Sem título, sem data . Não assinado / Não datado . Grafite, guache e marcadores sobre contraplacado ou cartão . 49 x 49 cm . Coleção particular
José de Almada Negreiros (1893-1970) «Relação 9/10», 1957. Assinado / Datado . Óleo sobre tela 60 x 60 cm. Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna Inv. 83P62
309-1 Sem título, sem data. Não assinado / Não datado . Grafite, guache e marcadores sobre contraplacado ou cartão. 49 x 49 cm . Coleção particular
331_1 Estudo para painel «Começar», c. 1968. Não assinado / Não datado. Grafite, guache e marcadores sobre papel . 67 x 44,5 cm. Coleção particular