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Na ausência de galerias, marchands ou mercado de arte, Almada, tal como outros artistas, trabalhou desde cedo sob encomenda, como aconteceu, por exemplo, com a Alfaiataria Cunha, o café A Brasileira do Chiado, o Bristol Club, ou com desenhos, grafismos e ilustrações para jornais, livros, capas ou cartazes.

Depois de regressar de Madrid em 1932, Almada assiste ao emergir da política de propaganda do Estado Novo, que convocou arquitetos e artistas modernistas para ajudar a construir a sua imagem, tornando-se praticamente a única garantia de sustento para a maioria deles. A integração das artes, a recuperação de técnicas tradicionais e a indistinção entre artes maiores e menores foi defendida na modernidade: no movimento Arts & Crafts, na art nouveau, no noucentismo, no De Stijl ou na Bauhaus. A matriz modernista foi comum a regimes autoritários, como o italiano e o português, servindo uma propaganda que aproveitava a legitimação da mudança dada pelos discursos da modernidade para promover a renovação da imagem nacional, estimulando a construção e a decoração públicas.

Almada trabalhou neste contexto artístico em que os agentes da arte estavam ao serviço de contraditórios usos da modernidade, mas em depoimentos e textos discordou da instrumentalização da arte pelo Estado, fazendo a defesa incondicional da liberdade do artista. Em geral, os temas encomendados eram predefinidos, no entanto, é possível encontrar em Almada desvios ao controlo temático, por vezes com um humor insubordinado mais ou menos subtil. 

José de Almada Negreiros (1893-1970) «A Família», 1955. Painel de azulejo para a livraria Ática (Rua Alexandre Herculano, Lisboa), Fábrica Viúva Lamego . Assinado / Datado . Faiança com pintura policroma sobre esmalte negro . 300 x 140 cm Museu de Lisboa / EGEAC . Inv. MC.AZU.0402
José de Almada Negreiros (1893-1970) Sem título, 1944. Assinado / Datado . Óleo sobre tela . 59 x 49 cm. Coleção particular
José de Almada Negreiros (1893-1970) Retrato de Fernando Pessoa, 1954. Encomenda para o Restaurante Irmãos Unidos, Lisboa. Assinado / Datado . Óleo sobre tela. 201 x 201 cm. Museu de Lisboa / Casa Fernando Pessoa / EGEAC. Inv. MC.PIN.0410
José de Almada Negreiros (1893-1970) [Nu] (Pintura para o Bristol Club, Lisboa), 1926. Assinado / Datado. Óleo sobre tela 94,5 x 191 cm. Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna. Inv. 83P59
José de Almada Negreiros (1893-1970) Pintura a fresco no edifício do «Diário de Notícias», 1940. Av. da Liberdade, n.º 266, Lisboa, arquiteto Porfírio Pardal Monteiro