FCG Secção: Museu

O Edifício

Inaugurado em 1969, o projeto do edifício da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian resulta de um concurso restrito dirigido pela Administração a três equipas de arquitetos, que decorreu entre 1959 e 1960.

O caderno de encargos, ambicioso e detalhado, obedecia ao pressuposto de que o novo edifício fosse “uma perpétua homenagem à memória de Calouste Gulbenkian, em cujas linhas se adivinhassem os traços fundamentais do seu caráter – espiritualidade concentrada, força criadora e simplicidade de vida”.

Desta forma o projeto deveria prever a articulação de diversas tipologias de instalações para cumprirem o objetivo de albergar a Sede, o Museu, Auditórios e Biblioteca da Fundação, com as respetivas estruturas de apoio. O local escolhido foi o Parque de Santa Gertrudes em Palhavã (localização atual).

Das três soluções apresentadas a concurso, foi selecionada a da equipa formada pelos arquitetos Ruy Jervis d’AthouguiaPedro Cid e Alberto Pessoa, a qual apresentou um projeto que coincidia com os desígnios da encomenda: um conjunto arquitetónico de grande unidade, sóbrio e digno. Neste projeto trabalhou um grande número de especialistas em diversas áreas, coordenados pela equipa vencedora.

Os restantes projetos a concurso eram da autoria das equipas de arquitetura formadas, uma, por Arnaldo Araújo, Frederico George e Manuel Laginha, e, outra, por Formosinho Sanches, Arménio Losa e Pádua Ramos.

O conjunto arquitetónico existente, de estrutura aparentemente simples, e áreas sabiamente interligadas, encontra-se envolvido por um espaço verde projetado pelos arquitetos paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto, de onde se destacam extensos relvados, lagos e ainda um anfiteatro ao ar livre.

O exterior do Museu apresenta-se como um maciço paralelepípedo retangular, onde a utilização do betão aparente e do granito revela um equilíbrio cromático contido. Planificado em função de cada objeto reunido por Calouste Gulbenkian, possui no piso inferior uma Galeria de Exposições Temporárias, uma loja e uma cafetaria. Neste piso encontra-se, ainda, a Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian.

Um marco na arquitetura museológica portuguesa, o edifício do Museu, organizado em torno de dois jardins interiores e com inúmeros vãos envidraçados para o exterior, permite ao visitante um diálogo constante entre a Natureza e a Arte. Notável exemplo dos novos caminhos da Arquitetura Moderna Portuguesa da década de 1960, o edifício da Fundação Calouste Gulbenkian foi distinguido com o Prémio Valmor, em 1975, e classificado Monumento Nacional, em 2010.

A distribuição e articulação das galerias de exposição permanente estão orientadas por uma sistematização cronológica e geográfica que determinou, dentro de um percurso geral, dois circuitos independentes. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica e evolui através das galerias da Arte Egípcia, Greco-Romana, Mesopotâmia, Oriente Islâmico, Arménia e Extremo Oriente. O segundo percurso é dedicado à Arte Europeia, com núcleos dedicados à Arte do Livro, à Escultura, Pintura e Artes Decorativas esta última com especial destaque para a arte francesa do século XVIII e para a obra de René Lalique. Expõe-se neste circuito uma diversidade de peças representativa das variadas manifestações artísticas da Europa, desde o século XI até meados do século XX.

A iniciar este setor destaca-se um conjunto de marfins e de livros manuscritos iluminados, a que se segue uma seleção de Escultura e Pintura dos séculos XV, XVI e XVII. A arte do período do Renascimento produzida na Flandres, França e Itália encontra-se representada na sala seguinte. O século XVIII francês ocupa nas salas do Museu um lugar especial com as Artes Decorativas – destacando-se a Ourivesaria e o Mobiliário – a Pintura e a Escultura.

Seguem-se galerias onde podem observar-se um núcleo de Pintura de Francesco Guardi, Pintura inglesa dos séculos XVIII e XIX, Escultura e Pintura do século XIX francês e finalmente um importante núcleo de joias e vidros de René Lalique, em sala própria.