10 Julho 2020

Elizabeth Billington e Santa Cecília

Partilhamos semanalmente uma história sobre a Coleção do Fundador. O mês de junho é dedicado às histórias musicais.

James Ward, segundo Sir Joshua Reynolds, «Mrs Billington as St Cecilia», (pormenor), 1803 (?). Gravura à maneira negra ou mezzotinto. Coleção do Fundador

Elizabeth Billington (1765/1768-1818) foi uma famosa cantora de ópera inglesa. Filha de músicos, Betsy, como ficaria conhecida, iniciou a sua formação musical com o seu pai. O seu talento depressa se tornou evidente: começou por aprender pianoforte e posteriormente dedicou-se ao amadurecimento da sua voz, fazendo a sua primeira aparição pública como cantora com apenas 14 anos. Teve ainda a oportunidade de estudar em Paris com vários compositores de renome.

Betsy atuou em vários palcos, primeiro em Londres, em Covent Garden, e mais tarde em Itália, passando por Nápoles, Florença, Milão, Veneza e Trieste. Atuou no famoso San Carlo, o mais antigo teatro da Europa que ainda se encontra em atividade. Após o seu regresso a Londres, os seus dotes musicais foram cobiçados pelos teatros de Covent Garden e Drury Lane, nos quais atuou alternadamente.

Uma das maiores divas do seu tempo, Elizabeth foi retratada por vários artistas. Nas gravuras adquiridas por Calouste Gulbenkian, realizadas por James Ward segundo uma pintura de Joshua Reynolds, surge como Santa Cecília, numa referência ao seu talento para a música. Cecília era a santa padroeira dos músicos e dos instrumentos, embora as razões para esta ligação sejam incertas. Diz-se que casou contra a sua vontade e que enquanto os músicos tocavam na cerimónia, Cecília cantou a Deus no seu coração – contudo, acredita-se que esta história poderá ter sido uma interpretação errada de um texto antigo.

Cecília ficaria para sempre ligada à música: o primeiro festival em sua honra remonta ao ano de 1570 e a Academia Nacional de Santa Cecília, em Roma, é uma das instituições de música mais antigas do mundo. A santa inspirou várias obras-primas de grandes pintores, como Rafael, Rubens ou Poussin, e a sua história deu origem a inúmeras obras literárias – da autoria de Geoffrey Chaucer, por exemplo – e composições musicais, de figuras como Haydn, Scarlatti ou Purcell. 


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