Barómetro-termómetro

A conservadora Clara Serra escreve sobre o barómetro-termómetro da autoria de Claude-Siméon Passemant, adquirido por Calouste Gulbenkian em 1938.
Claude-Siméon Passemant, Charles-Nicolas Dodin, Barómetro-termómetro (pormenor). França, 1768-1774. Museu Calouste Gulbenkian

Os instrumentos de medida e precisão foram peças muito procuradas no século XVIII, fruto dos avanços científicos da época, altura em que a confiança nas capacidades intelectuais do homem e o poder da razão adquiriram uma enorme importância. O rei e a corte não foram alheios a esta tendência, utilizando-os para decorar os seus salões e atribuindo-lhes, deste modo, também o estatuto de obra de arte.

Este barómetro-termómetro é da autoria de Claude-Siméon Passemant, um dos maiores inventores e construtores de instrumentos científicos da época. Passement foi engenheiro do rei, com oficina no Louvre durante o reinado de Luís XV. Foi também da sua oficina que saiu o barómetro-termómetro que pertenceu a Madame Du Barry, favorita do rei – que muito se assemelha ao aqui tratado – adquirido por esta a Simon Poirier, famoso comerciante de obras de arte. Ao que parece, terá sido o próprio Poirier, sempre atento às novidades e aos gostos da sua clientela, a incentivar o fabrico deste tipo de objetos.

Os dois instrumentos, barómetro e termómetro, estão encastrados numa caixa de bronze cinzelado e dourado, decorado com fitas, flores, frutos, grinaldas e enrolamentos. Desta decoração fazem ainda parte três placas de porcelana, assinadas por Charles-Nicolas Dodin, um importante pintor de figuras da Real Manufatura de Sèvres, que executou diversas placas para a decoração de móveis e instrumentos científicos, para além de serviços e vasos. Sabemos que em 1776 Poirier adquiriu em Sèvres diversas placas de porcelana para decorar barómetros. Dodin é também o autor das placas de porcelana do já referido barómetro-termómetro de Madame Du Barry, atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.

 

Claude-Siméon Passemant, Charles-Nicolas Dodin, Barómetro-termómetro. França, 1768-1774. Museu Calouste Gulbenkian
Claude-Siméon Passemant, Charles-Nicolas Dodin, Barómetro-termómetro (pormenor). França, 1768-1774. Museu Calouste Gulbenkian

 

As três placas apresentam motivos relacionados com a função da peça. A placa superior, oval, tem uma reserva verde com cercaduras douradas e, no centro, um cupido sobre uma nuvem, que segura um óculo. Na placa do meio, com a mesma cercadura, podemos ver um menino num ambiente bucólico a segurar um compasso e uma esfera armilar. Na placa inferior, mais pequena e sem reserva, sobre uma nuvem encontra-se um livro e diversos instrumentos científicos. O livro está aberto numa página onde se lê Connaissance des Temps.

Os mostradores esmaltados dos dois instrumentos contêm informações sobre o estado do tempo. No termómetro lê-se a inscrição Thérmomètre suivant M de Reaumur, o que indica que a escala utilizada é a de Reaumur, cientista francês que em 1731 inventou um termómetro com uma escala dividida em 80 graus, baseando-se no ponto de congelação e de ebulição da água. Este tipo de termómetro foi muito utilizado na Europa da época.

 

Clara Serra
Conservadora do Museu Calouste Gulbenkian

Atualização em 31 maio 2021

Definição de Cookies

Definição de Cookies

A Fundação Calouste Gulbenkian usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.