Dante e Ulisses. Do mito à modernidade

Com António M. Feijó e Teresa Bartolomei

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Ulisses, o homem que muito sabia, muito viu, muito viajou e muito sofreu, lutou pela sua vida e por regressar à casa, mas fracassou ao salvar os amigos, que, enlouquecidos, se perderam: não tinham a sua sabedoria (Odisseia I, 1-5). Em cinco versos admiráveis, a abertura da Odisseia descreve o maior herói da literatura ocidental, que periodicamente ressurge, fiel a si mesmo e sempre diferente: rei do disfarce, da mudança, da adaptação. 

Inteligência e sofrimento, sede de conhecimento e experiência do fracasso são as marcas que levam cada leitor a identificar-se com ele, e tantos poetas a retomá-lo para redescrever com ele a face do humano. Ao colocá-lo no Inferno, Dante faz de Ulisses uma figura miserável e sublime: protagonista de uma viagem ao coração do desconhecido, pecador não arrependido, sedutor ambíguo, dividido entre fraude e dignidade. A mistura de grandeza e abjeção desenhada por Dante abre a Ulisses o caminho de saída do mito para se tornar ícone do homem contemporâneo. Se o Ulisses de Joyce deve tanto a Homero como a Dante é porque o a heroicidade do fracasso se tornou parte da autoconsciência moderna.


BIOGRAFIAS

António M. Feijó, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.  Autor de livros e ensaios sobre o Modernismo europeu e norte-americano. Tradutor de Shakespeare e outros escritores de língua inglesa.

Teresa Bartolomei, Doutorada no Programa em Teoria Literária da Universidade de Lisboa, é atualmente investigadora integrada do CITER, Centro de Investigação em Estudos de Teologia e Religião (UCP), e professora convidada na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Em 2018 publicou Radix Matrix (Lisboa: UCE), um ensaio sobre eclesialidade e cidadania, S. Paulo e a dimensão comunitária da democracia. A questão do mal na perspetiva pessoal e civilizacional é discutida à luz dos textos bíblicos em Dove abita la luce (Milão: Vita e Pensiero, 2019), livro que aborda em particular o tema da crise ecológica, a partir de uma releitura da figura de Noé.

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