Pomar

Organizada como resposta à crítica positiva da obra de Júlio Pomar (1926-2018) apresentada na Bienal de São Paulo, esta iniciativa partiu do governador do distrito federal brasileiro José Aparecido de Oliveira, que, numa visita a Portugal, desafiou o artista a levar os seus trabalhos ao Brasil, com o apoio e a organização da Fundação Calouste Gulbenkian.
Display of the work of Júlio Pomar (1926-2018), presented at the São Paulo Biennial with the support and direction of the Calouste Gulbenkian Foundation and organised in response to the positive reception of the artist's work. The initiative stemmed from a challenge to the artist to exhibit his work in Brazil, made by Brazil's federal district governor José Aparecido de Oliveira during a visit to Portugal.

Apresentada no Brasil (Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro) em 1986 e em Portugal (na Fundação Calouste Gulbenkian) em 1987, esta mostra foi concebida como exposição antológica de um artista de quem José Sommer Ribeiro diz: «Foi sempre um Pintor incómodo, tanto para os seus professores como para os colegas, os políticos e, especialmente, para os críticos. […] A crítica acolhe com entusiasmo o seu aparecimento durante o período neo-realista. Mário Dionísio e Ernesto de Sousa são os mais entusiastas, e José-Augusto França, no seu livro A Arte em Portugal no século XX, considera-o “o mais brilhante dos cultores do neo-realismo de 45”. A viragem da sua pintura dá-se em 58 e, como muito bem assinala Rui Mário Gonçalves, o quadro Maria da Fonte é a charneira dessa mudança. Desde então, a crítica portuguesa acentua a “sua hábil pincelada” quando se refere às pinturas da Tauromaquia e das Corridas de Cavalos, esquecendo-se de que obras como Cegos de Madrid e a série D. Quixote não são unicamente fruto de pinceladas habilidosas.» (Pomar, 1987)

O investimento da Fundação Calouste Gulbenkian na produção desta mostra foi justificado por José Sommer Ribeiro pela importância que ela encerra para a divulgação da arte portuguesa no exterior: «Ainda que o custo desta iniciativa seja bastante oneros[o], penso que será importante para a difusão da obra de um dos Artistas portugueses contemporâneos mais notáveis do nosso século.» (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, 16 out. 1986, Arquivos Gulbenkian, SEM 00375)

O pintor Júlio Pomar (1926-2018) participou ativamente na preparação e produção das várias montagens da exposição, tendo sido o responsável pela seleção das cerca de 90 obras apresentadas (pinturas a óleo sobre cartão ou tela, desenhos a lápis sobre papel, colagens, pinturas acrílicas sobre tela, papel e madeira, etc.), que pretendiam documentar um período de quarenta anos da sua produção.

O êxito das montagens da exposição no Brasil é testemunhado por uma série de documentos, de que selecionamos os seguintes:

«A exposição de Júlio Pomar, que foi apresentada em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, despertou um enorme interesse, e o próprio Sarney [presidente do Brasil entre 1985 e 1990], que a visitou, considerou-a a mais importante exposição de artistas estrangeiros realizada em Brasília.» (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, 29 dez. 1986, Arquivos Gulbenkian, SEM 00375)

«Júlio Pomar está obtendo grande sucesso no Rio. Extraordinário. Excelente cobertura na Imprensa.» (Telefax do Rio de Janeiro para José Blanco, [s.d.], Arquivos Gulbenkian, SEM 00375)

Para a exposição em Lisboa foi utilizado o mesmo catálogo apresentado no Brasil, que incluía textos sobre o artista, redigidos por diversos críticos, e que foi à época um recurso de grande valor para o estudo da obra do pintor (Nota para o presidente José de Azeredo Perdigão, 8 out. 1986, Arquivos Gulbenkian, SEM 00375).

Na capital portuguesa, a exposição foi complementada por três atividades organizadas pelo ACARTE: uma mesa-redonda sobre a obra de Júlio Pomar, com moderação de Helena Vaz da Silva e a participação dos críticos Mário Dionísio, Rui Mário Gonçalves e João Pinharanda, e duas conferências («L’Unité et le sens. Approche de l’œuvre de Júlio Pomar», proferida por Alain Bonfand, professor de História da Civilização na Escola de Belas-Artes de Paris e autor de um dos textos do catálogo, e «Júlio Pomar visto do Brasil», por Paulo Estellita Herkenhoff, diretor do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro).

Ana Lúcia Luz, 2016


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

D. Quixote e os Carneiros

Júlio Pomar (1926-2018)

D. Quixote e os Carneiros, Inv. 83P767

Le Bain Turc, d'après Ingres

Júlio Pomar (1926-2018)

Le Bain Turc, d'après Ingres, Inv. 83P772

Table des Jeux

Júlio Pomar (1926-2018)

Table des Jeux, Inv. 83P769

D. Quixote e os Carneiros

Júlio Pomar (1926-2018)

D. Quixote e os Carneiros, Inv. 83P767

Le Bain Turc, d'après Ingres

Júlio Pomar (1926-2018)

Le Bain Turc, d'après Ingres, Inv. 83P772

Table des Jeux

Júlio Pomar (1926-2018)

Table des Jeux, Inv. 83P769


Eventos Paralelos

Mesa-redonda / Debate

[Júlio Pomar]

30 jan 1987
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 3
Lisboa, Portugal
Conferência / Palestra

L'Unité et le Sens. Aproche de l'Œuvre de Júlio Pomar

4 fev 1987
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 3
Lisboa, Portugal
Conferência / Palestra

Júlio Pomar visto do Brasil

9 fev 1987
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 3
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

José Blanco e Pedro Tamen (à esq.), Mário Soares e Maria Barroso (ao centro) e Júlio Pomar (à dir.)
Júlio Pomar e Mário Soares (ao centro)
Mário Soares (à esq.), Maria Barroso e Júlio Pomar (ao centro) e José Blanco (à dir.)
Júlio Pomar (à esq.), José Sommer Ribeiro (à dir.)
Júlio Pomar (á esq.), José Blanco (à dir.)
Mário Soares (esq.), Júlio Pomar (à dir.)
Maria Barroso, Júlio Pomar, Mário Soares, José Blanco (da esq. para dir.)
José Sommer Ribeiro (esq.), Maria Barroso (centro, esq.), Júlio Pomar (centro, dir.), Mário Soares (à dir.)
José Sommer Ribeiro, Maria Barroso, Júlio Pomar, Mário Soares, José Blanco (da esq. para dir.)
Mário Soares (à frente), José Blanco (atrás)

Multimédia


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço Internacional), Lisboa / INT 02098

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém informação relativa ao subsídio para a deslocação de Júlio Pomar ao Brasil, a fim de estar presente nas exposições temporárias da sua obra. 1986 – 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00375

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém textos de catálogo, convite e orçamentos, assim como relatório elaborado pelo Paço Imperial do Rio de Janeiro. 1986 – 1987

Arquivos Gulbenkian (ACARTE), Lisboa / ACARTE 00287

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém informação relativa à mesa-redonda complementar da exposição, organizada pelo ACARTE. 1986 – 1987

Biblioteca de Arte Gulbenkian, Lisboa / Dossiê BA/FCG

Coleção de dossiês com recortes de imprensa de eventos realizados nas décadas de 80 e 90 do século XX, organizados de forma temática e cronológica. 1984 – 1997

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0216-D00658

10 provas, cor: aspetos (FCG, Lisboa) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0216-D00660

28 provas, p.b., cor: aspetos (FCG, Lisboa) 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02211

15 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1987


Exposições Relacionadas

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